Fotografia:
De repente, do lado inesperado da galáxia

1 – Comunistas? Mas para quê?…). Eu fui criado num mundo em que as ameaças ao património individual dos cidadãos vinham apenas da parte dos comunistas. Daí que eu e todos aqueles (uma boa maioria) que têm algum património, olhássemos sempre de revés e com alguma desconfiança para os comunistas e todos aqueles outros cuja ideologia (ou simples inveja ou ganância) os fazia sentir no direito de olharem para o que é meu como se fosse ou devesse ser deles. Nada mais natural, aliás, pois nem todos somos tolos. Por outras palavras, “as coisas têm dono” e quem não respeita este pensamento está a criar sérios problemas para os outros e, naturalmente, a prazo para si próprio.

Eduardo Tomás Alves
18 Jun 2013

Note-se que esta ambição “radical” e revolucionária dos comunistas sobre os bens alheios (incluindo os meus, é claro) nunca fez de mim “anti-comunista”. A não ser, é verdade, naquele período de 1974-78, em que a grande e súbita influência do PCP em Portugal e colónias se tornou uma verdadeira ameaça. Apesar disso, sempre admiti que o Comunismo é uma forma possível (porém não a ideal, longe disso) de se organizar a vida em sociedade.
Hoje porém, a Democracia Liberal representa para a classe média impotente, um prejuízo e confisco quase igual ao do Comunismo. São os pesados impostos; são as obras públicas constantes, faraónicas e megalómanas (com as consequentes expropriações de terrenos a “preço de chuva”). São os seus programas de assistência social que são financiados com os mesmos fortes impostos; é a monstruosa dívida pública, que ao fim de décadas a crescer, obriga as democracias pobres e sem moe-
da própria (como Portugal) a pedir resgates a Estados mais ricos, que podem ou não ajudar. Em face de tantos prejuízos e exacções que a classe média sofre em Democracia Liberal, é mesmo caso para perguntar “se faz sentido ser comunista nos dias de hoje”. E olhem que a ironia não é total…
2 – Dijselbloem e a ameaça de repetir a pseudo-solução aplicada em Chipre). A União Europeia decidiu embirrar com os recursos financeiros de Chipre, por razões que veremos abaixo. Dois bancos de lá, pelo menos, foram assim obrigados à falência. E todos aqueles que aí tinham depositado mais de 100 mil euros (fossem eles nacionais ou estrangeiros) foram roubados de todo o dinheiro superior e esse montante relativamente irrisório. Mas, pior ainda foi quando Dijsselbloem, o ministro holandês que é presidente do Eurogrupo, admitiu que por essa Europa fora, a vergonhosa receita de confisco aplicada em Chipre, poderia ser repetida, se houvesse novas falências bancárias. Quer dizer, só se vão salvar as finanças pessoais dos banqueiros, políticos “da côr” e traficantes de droga. Pois só esses é que têm o mapa dos paraísos fiscais consistentes, só em relação a esses é que funciona o segredo bancário. A antiga e vasta “classe média” que se lixe, fica cada pessoa com os seus 100 mil euritos, dá para um T2… Aliás, quem sabe se a “garantia” vai amanhã descer para uns módicos 50 mil ou 20 mil?
3 – A confiança e o sigilo bancário deviam ser inatacáveis). Se as Democracias dizem querer perseguir o “dinheiro sujo” e os traficantes de droga ou de armas, pois que o façam reforçando o sistema policial. E não através da devassa do sigilo bancário, um dos pilares históricos da Economia (e uma consequência do sagrado direito pessoal
à intimidade e à privacidade). O útil trabalho dos Bancos só é possível também, se houver confiança no sistema. Daí que o estabelecer-se um tecto máximo de garantia bancária é, no mínimo, um roubo, um confisco e um convite à exportação de capitais. A Europa não é o Zimbabwe ou a Guatemala, é uma região poderosa e rica, que não devia dar essa fraca imagem de si própria. E a ideia de que também todo o investidor deve ser doutor em Economia e escolher os bancos mais solventes é apenas uma torpe desculpa de mau pagador. Dinheiro é papel e os bancos centrais que o imprimam. E que nunca por nunca tenham a lata de dizer que um simples depositante é um accionista e que pode não ter direito a reaver o que é seu.
4 – Mas por quê Chipre, se há tantos outros paraísos fiscais?). A explicação é simples, embora vergonhosa. Para mim, Bruxelas “tira o tapete” a Chipre porque Chipre estava cheio de dinheiro dos oligarcas russos. Ora a Rússia (e bem) não tem abandonado os legítimos governantes da Síria, atacados por mais uma dessas sangrentas “primaveras” árabes. E aquilo foi uma forma de tentar coagir Moscovo a uma absurda e inédita cumplicidade com Israel a propósito da Síria. O mesmo se passará com a atitude hostil de Bruxelas para com a Grécia, por tradição e razão um eterno guardião da Europa contra os turcos. Ora apesar de a Turquia ser asiática (e uma plataforma para a droga) há quem a queira meter à força na Europa. A metade-norte de Chipre foi aliás roubada pela Turquia, mas nem isso conta… Ao ponto de, no auge da crise, aliás, Moscovo propor pagar a dívida do pequeno Chipre, mas a UE não deixou.




Notícias relacionadas


Scroll Up