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A ingovernabilidade

Quando houver eleições, a médio prazo serão, Portugal poderá ficar com o Partido Socialista com a responsabilidade de formar governo e, não tendo adquirido a maioria, como tudo parece indicar, que lhe permita governar sozinho, terá que ir para as coligações. À sua esquerda tornar-se-á impossível porque nem o PC nem o BE estarão de acordo em pagar as dívidas, em manter a austeridade, em manter as leis laborais, vão querer mudanças de fundo e não tolerarão simples arranjos cosméticos, intimidarão o capital estrangeiro de investimento, espalharão o velho fantasma das nacionalizações.

Paulo Fafe
17 Jun 2013

Tudo isto está a anos luz do programa e passado do PS mesmo assumindo-se como de esquerda. O PS é uma esquerda moderna e moderada, rejeitando extremismos e fanatismos de economia estatizada. Portanto, com a atual esquerda não há pé nem mão para qualquer entendimento. Aliás já bem demonstrado pelos encontros que tiveram com Seguro. Com o PSD, por razões óbvias é impossível: ninguém  ser comandado depois de ter sido comandante. À sua direita só lhe resta o CDS que “num gesto de sacrifício patriótico” parece não desdenhar ficar no poder mesmo que com outro parceiro. Como diz o povo “é gente de boa boca”. Também não é bem assim: há no CDS um discurso humanista, e uma defesa de direitos de trabalho, que não diferem, pelo menos em intenção, dos propalados pelo partido socialista. Por vezes parece que o próprio PS é ultrapassado pela esquerda pelo CDS. Uma aliança do CDS  com o PS não me parece muito contranatura como por vezes se diz e outros querem fazer  parecer. Não sei como os socialistas históricos, para não dizer radicais, vão absorver uma aliança destas! Lembremo-nos da aliança  Mário Soares/ Freitas do Amaral quando este liderava o CDS. Não repugnou a Mário Soares também não deve enjoar hoje. Se esta aliança se não fizer o país fica ingovernável. Isto se não aparecer por aí um Tiririca qualquer que arrebanhe uns tantos por cento de uns tantos jovens galhofeiros. O PS pode formar governo sozinho, mas sabemos quanto é difícil governar sem maioria na Assembleia da República. Os acordos parlamentares são negócios efémeros. Na noite escura qualquer pirilampo é um farol. As sondagens vão indicando, com certa  regularidade, que se não querem a atual coligação, José Seguro e o PS também os não convence. Dizem que o atual Governo é bacalhau com batatas e o PS oferece batatas com bacalhau. No fundo trata-se de mudar de cozinheiro mas não de ementa. Falta ao atual Governo metade da legislatura a que, segundo parece, vai ser dedicada à economia, subtraindo-a ao poder hegemonista das finanças. Ora, se assim for, se o investimento vier trazer sangue novo às empresas, o emprego surgirá e com ele sarará a maior chaga social em que temos vivido, a perda de emprego e a falta dele. Por isso, por acreditar que a economia vai ressurgir, é que Passos Coelho anunciou desde já a sua candidatura, retirando qualquer veleidade a outros candidatos  social-democratas e, segundo, dá um sinal de que acredita no crescimento económico. Penso mesmo que esta será a sua bandeira de campanha eleitoral para 2015. Penso que se não recandidataria para se suicidar politicamente. Só um louco o faria. Não é por acaso que o PS e os outros partidos  anseiam que ele se demita, não vão vingar as medidas adotadas pelo Governo e ele aparecer na ribalta como reformador e salvador da pátria. Dois anos é muito tempo; pode mudar muita coisa até para fazer reverdecer o que parecia condenado a estiolar.




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