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A sombra de Ângela Merkel ou a resposta a Miguel Torga?

Chama-se Úrsula Von der Leyen, tem 55 anos, é uma mulher atípica na política e está a romper os esquemas na Europa. Actualmente é ministra do Trabalho e Assuntos Sociais na Alemanha, de 2005 a 2009 foi ministra da Família, Mulher e Juventude, legislou e empenhou-se para que as famílias pudessem conciliar melhor o cuidado dos filhos e o seu trabalho profissional. Os alemães chamam-lhe “a mãe da nação” por ter 7 filhos.

Maria Susana Mexia
16 Jun 2013

Durante os seus anos na política tem mostrado a grandeza da maternidade, as enormes vantagens das crianças na sociedade e lutado por abrir caminho às famílias que querem ter filhos numa Europa com uma histórica crise demográfica, agravada ano após ano.
Está a revolucionar a política alemã. Faz sombra à poderosa Ângela Merkel e o seu nome já é falado para presidente do país ou futura chanceler.
Quando chegou ao Governo de Merkel sabia que as suas cinco colegas, incluída Merkel, tinham renunciado a ser mães para se dedicarem exclusivamente à política. Ela porém, propôs infantários gratuitos, ajudas aos pais para o cuidado dos filhos e licenças para estes poderem ficar em casa a cuidar das crianças. Apesar das críticas de que foi alvo, salientava sempre a sua experiência e como tinha conseguido conciliar trabalho e família. 
Úrsula tem plena consciência que se pode ser mãe e progredir profissionalmente, sem ter de renunciar a ter família. Considera os filhos fonte de alegria, força criadora, segurança  futura, não significam pobreza, mas perspectiva.
Estudou Economia, depois doutorou-se em Medicina, chegando a dedicar-se à investigação. Mais tarde foi para os EUA por compromissos profissionais do marido. Aí dedicou-se aos filhos, à investigação e experimentou a importância de ajudar a família.
“A família retoma a sua importância, não apenas como factor de equilíbrio, mas como ferramenta para transmitir directamente uns valores, uma interioridade e uma transcendência. Além disso, estamos a ver que sem crianças um país não pode continuar a existir, por razões económicas e também emocionais”.
“A família é onde se aprende a responsabilidade entre filhos, pais e sociedade, os valores que todos nós queremos para amanhã. As crianças continuam a precisar de tempo, de bons exemplos e devem conhecer o valor do esforço para conquistar o êxito”.

É ainda uma das pessoas mais empenhadas em pôr na agenda os valores cristãos que forjaram a Europa, nos séculos passados.

Será que vinte anos depois surgiu alguém capaz de responder a esta pertinente, perspicaz e actual inquietação dum poeta e médico português:
“Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores”.
Miguel Torga – 1993

Ninguém me encomendou este artigo, mas parece-me que vale a pena não perder a esperança e saber que duma nação onde um só homem destruiu a Europa num holocausto sem memória na história, uma mãe de família, poderá ser a alavanca, que em agonia, se espera para salvar este continente, há décadas em crise, por ausência da essência que fez dele o centro do mundo e da humanidade.




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