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Sr. Ministro, não queira ficar na história

Vamos ver se a gente se entende. O que o move na teimosia em manter o exame na segunda-feira, não é a defesa dos alunos nem da escola pública, porque se o quisesse fazer, haveria muitas outras formas, e a título de exemplo deixo-lhe aqui algumas sugestões: impedindo os mega (ou giga) agrupamentos, as alterações curriculares que apenas visam economizar alguns euros, a desvalorização do cargo de diretores de turma, o excesso de alunos por turma, etc. Quem se diz preocupado com os alunos não lança a confusão a nível nacional ao convocar para vigiar exames, todos os docentes do País, em alguns casos, educadoras de infância e professores do 1.º ciclo do ensino básico pertencentes a giga agrupamentos. O que me causa alguma apreensão é que V. Exa não percebe que está a criar o caos naquilo que é, no seu entendimento, realmente importante, “os exames”.

Carlos Mangas
15 Jun 2013

Teve possibilidade, sem perder a face, com a decisão do tribunal arbitral, de alterar a data e garantir desse modo, escolas serenas e equidade e qualidade na realização dos exames de português e latim para todos os estudantes do País. Mas não, optou por manter a data e criar nas escolas e em todos os docentes do País, um sentimento de revolta que vai levar à mais completa charada de que há memória ao nível de exames nacionais.
A sua noção de equidade é percetível e visível nesta última convocatória geral. Já que os professores do 2.º e 3.º ciclo vigiaram provas dos meninos do 4.º ano, mesmo que para isso os seus alunos tenham ficado sem aulas, no seu entender, é perfeitamente natural e promove assim a equidade, colocar educadores de infância e professores do 1.º ciclo a vigiar exames do 12.º ano, ficando desta forma as crianças sem aulas. Mas, se os pais reclamarem, a sua resposta vai ser a habitual: a culpa é dos professores.
Deixo-lhe algumas questões (im)pertinentes:
Mandou enviar por mail, para educadores de infância e professores do 1.º ciclo, aquele conjunto de normas com que todos os anos somos confrontados em véspera de exames, em que percebemos que um espirro mal medido, quase pode dar origem a processo disciplinar por perturbar a realização do exame?
Ter professores de português a vigiar exames de português, já não vai contra a legislação em vigor? Haver ou não coadjuvantes, passa a ser indiferente para a realização dos exames?
Haver escolas com alunos a entrarem para a sala para fazer o exame e outros a ficarem cá fora porque não há vigilantes suficientes, é garante de seriedade e equidade na realização das provas? Já pensou aproveitar os assistentes operacionais para vigiar também?
(Até tremo só de pensar que vai aproveitar esta minha última sugestão)
Por último, e para desmistificar o seu cavalo de batalha, dos problemas que esta greve poderá causar, indique-me uma, e apenas uma greve, de alguma classe profissional, que não cause transtorno.
Houve outros titulares da pasta que ficaram na (triste) história da educação do nosso país por outros motivos, mas V. Exa. acredite, a manter-se o atual estado de coisas, também o vai conseguir.




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