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Estar ao lado de quem?

“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”: é assim que se expressa o povo na sua sabedoria milenar e de uma forma assertiva e sempre atual. De facto, este ditado configura transversalmente um tipo de comportamento individual baseado na aprendizagem social que pode condicionar a formação da nossa personalidade e do nosso carácter. Em bom reforço deste ponto de vista de índole psicológico, os pais, bons educadores, despertos e atentos ao desenvolvimento integral dos seus filhos, terão que se preocupar com a qualidade dos amigos que os acompanham. E quem assim não o fizer está sujeito a ter, mais tarde, surpresas bem negativas e amargas, acrescidas de complexos problemas a recaírem e a causarem situações graves no seio da família.

Armindo Oliveira
15 Jun 2013

Esta atitude paternal, preventiva e pedagógica não tem nada de discriminatória, nem de elitista, mas, pelo contrário, insere-se num quadro de exigência, de afetos, de responsabilidade, de segurança e de futuro, uma vez que o meio é um dos fatores determinantes na nossa formação como pessoa e como cidadão.
Esta pequena introdução vem a propósito de uma recomendação feita pelo grande combatente da corrupção neste país, o dr. Paulo Morais, que apela aos políticos para serem “militantemente sérios” e ao assumirem este comportamento “materialmente sério e intelectualmente honesto”, possam exigir aos outros com quem se relacionam e interagem o mesmo tipo de procedimento. As palavras de Paulo Morais vão ainda mais longe, atingindo o patamar da “censura social e pública” com o menosprezo natural dos “políticos” que não sabem honrar e dignificar a confiança que o eleitor lhes depositou através do voto. É preciso que eles percebam e sintam que o eleitor é parte interessada e ativa na vida democrática e não se resume à simples deposição do voto nos momentos eleitorais. É caso para se dizer que o tempo daqueles autarcas que o povo dizia com condescendência e com patética admiração que “roubavam, mas faziam obra” acabou definitivamente neste país, porque é uma exigência democrática e um compromisso de cidadania elegermos políticos dedicados, competentes e, fundamentalmente, honestos para se tentar sair deste imenso atoleiro em que nos meteram.
Portugal está neste estado de falência, de desemprego, de desmoralização, de fome e de revolta muito por culpa da ganância, do compadrio, da corrupção, da desonestidade. Durante anos consecutivos, a sede de poder e a fome de dinheiro fizeram com que alguns políticos perdessem o norte da retidão e se encaminhassem para a penumbra dos negócios e das más decisões em completo prejuízo pelos bens do Estado e pelo futuro dos portugueses.
Está a chegar a grande oportunidade de, finalmente, fazer uso deste preceito de retidão e desta consciência cívica com as eleições autárquicas que se realizarão, talvez, em finais de setembro. O cidadão eleitor terá que apostar na escolha daqueles candidatos que se apresentem de cara lavada e de mãos limpas. É preciso que sejamos criteriosos e rigorosos na escolha do candidato mais fiável, mais autêntico e mais comprometido com a cidade e com o município.
Apostar em gente de qualidade, gente de bem, gente que tem uma visão alargada da sociedade e dos seus problemas é uma exigência política para se poder participar com autenticidade neste ato cívico e democrático com a nítida sensação de que estamos a contribuir para a construção de um país com mais esperança e com outro futuro.




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