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Olivença sem 10 de junho

Adivinhava-se que o 10 de junho de 2013, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, tivesse o valor político e social que teve: o de nada dizer e muito menos trazer aos portugueses. O Senhor Presidente da República foi previsível e vazio, falou da agricultura alentejana, que evoluiu, esquecendo-se que Salazar no seu tempo chamou ao Alentejo, garbosamente, “O Celeiro de Portugal”. Dependurados, os atores políticos deste 10 de junho, na presidente Dilma do Brasil a fim de venderem mais algumas jóias de Portugal aos “privados” daquele país, pouco ou nada mais se passou que fosse relevante.

Artur Soares
14 Jun 2013

A não ser o apelo ao “consenso” e uma demarcação de um mandato conflituoso, olvidou, para desgraça nacional a austeridade e os saques deste incompetente governo de Passos Coelho, bem como o monstruoso desemprego e as perspectivas mobilizadoras de produção, de justiça social, de criação riqueza: bajularam Dilma para se vender para fora riqueza nacional.
Mais um 10 de junho que devia trazer aos portugueses a alegria de ser português; a esperança de um futuro melhor; o direito de ter políticos e instituições credíveis, uma vez que é este povo que os sustenta com sacrifícios e com fome.
Mais um 10 de junho que devia ser o dia de acordar, de pensar, de unir e, sobretudo o dia especial para a apresentação de projetos nacionais e ser dia de esperança e perda de medo.
Mais de cem anos com maus políticos, sem estaleca de líderes, impondo o sofrimento, a dúvida e a descrença nacional. Mais um dia de farsa, de imobilidade nacional, dia de hipocrisia de alguns com a ajuda das televisões que, como os políticos, somente pretendem justificar o que ganham.
Dez de junho: mais um dia para dormir ou para desunir; mais um dia em que os projetos nacionais nem nas gavetas existem; mais um dia para esborrachar política a algumas centenas do sorriso e da delicadeza, porque privilegiados. Estamos a pouco mais de uma década do terceiro século e ainda não se vislumbra aquela máxima do povo: “não há mal que sempre dure”.
Condenados a governos que apenas aprenderam a pequenez, a pedincha, o comodismo e a jactância, nunca programaram o orgulho de se ser português independente e autónomo. Venderam as pescas, a agricultura, os têxteis e colocaram um penedo na reivindicação de Olivença, sonho daquele grande general Humberto Delgado, de cognome “o homem sem medo”, que sempre afirmou que iria lutar pela restituição daquele território alentejano.
Olivença, parte de Portugal desde 1297 e do tempo dos reis D. Dinis de Portugal e D. Fernando IV de Castela, que em 1801 foi usurpada a Portugal por assinatura imposta a plenipotenciário português e que, mesmo assim, teria de ser ratificado pela França o que nunca veio a acontecer.
Olivença no Alentejo, onde Portugal está representado (na porta do Calvário das muralhas portuguesas, construídas no reinado de D. João IV e onde rebrilham ainda as armas do rei-restaurador; a majestosa igreja da Madalena, de estilo manuelino, erigida no reinado de D. Manuel I, na qual estão depositados os restos de Frei Henrique Coimbra, companheiro de Pedro Álvares Cabral e celebrante da primeira missa nas terras de Santa Cruz; o palácio do Duque de Cadaval; e a porta principal da Santa Casa da Misericórdia, bem como outros monumentos, traça das casas, janelas e chaminés alentejanas.
Olivença, terra genuinamente portuguesa que espanhóis nunca tiveram vontade de restituir, nem portugueses houve com capacidade, vontade e honra de a obter ou de se fazer um referendo aos Oliventinos onde se lhes perguntasse a quem desejavam pertencer.
Ainda existe, creio bem, o “Grupo dos Amigos de Olivença”, bem como a “Comissão Internacional de Limites” que, se os governantes de Portugal fossem íntegros portugueses, com honra e carácter, muito podia acontecer se, inclusivamente, a comunidade europeia fosse sensibilizada para o “caso Olivença”.
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e Olivença sem 10 de junho.




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