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O sonho ou a razão

Por esta altura as estratégias das direções dos clubes passam por um grande dilema: ou se alimenta o sonho de ganhar (melhorando o nível do plantel, na escolha do perfil dos treinadores, na contratação de novos reforços, na definição de novos objetivos, sendo para isso necessário investir) ou se assume a condição que a razão aponta (contenção, porque não há recursos financeiros e redefinição de estratégias contidas nas verbas a despender).

Carlos Dias
14 Jun 2013

Muitos sócios, dirigentes e treinadores, necessitam deste momento para alimentar o sonho de altos voos, mas passados uns meses este sonho passa rapidamente a pesadelo: ou porque não se ganha ou porque se gasta o que não se tem e os recursos humanos ficam sem ver a cor do dinheiro por alguns meses. Quem dirige um clube não se pode deixar influenciar por aquilo que a comunicação social pede ou pela pressão que os sócios colocam em obter resultados. A sensibilidade e a capacidade em tomar as decisões que melhor sirvam os interesses do coletivo devem fazer parte das prioridades.
Impõem-se, por isso, que os dirigentes sejam os últimos a perder de vista a necessidade de predizer e de antecipar alguns problemas. Os grandes desafios com que se deparam os gestores, e até aos treinadores, são o de tomar as decisões com o mínimo de erros. Para isso é necessário manter a ideia clara acerca do caminho a seguir e a amplitude dos passos a dar.
Por exemplo, será que o recrutamento de jogadores se faz, tendo em conta o modelo de jogo e de organização que o clube/equipa preconiza? Ou deixam-se levar por generalidades e opiniões, pouco sustentadas, que levam muitos dos atletas a serem verdadeiros “flops”, e mais grave, a esvaziarem os cofres e a inibirem a contratação de novos recursos?
Um gestor tem que ter um rumo coerente entre onde quer chegar e o que precisa gastar para lá se posicionar, sem esquecer que qualquer tomada de decisão necessita ser assumida com o passado e, principalmente, um futuro. O desporto de hoje é uma indústria, forte e pujante. Neste sentido, qualquer opção de aquisição deve ser alvo de uma profunda análise, para que os erros não aconteçam e todos os euros aplicados sejam questionados e, se possível, rentabilizados. O bom gestor pondera todos os fatores influenciadores da prestação desportiva. Independentemente das expetativas iniciais, todos os clubes, à partida, têm intenções de conseguir os seus intentos, mas é nesta fase (de recrutamento) que as equipas começam a ganhar, quando conseguem boas contratações por valores sustentáveis.
O cerne da questão é conseguir contratar bons recursos humanos, mantendo a identidade do clube, a exaltação das capacidades da equipa e a ambição de todos os seus elementos. Só assim se consegue sobreviver neste negócio (cada vez mais desigual).
Sabemos que o desporto é um fenómeno complexo, multidimensional e algo imprevisível. Nem sempre vence o dinheiro, mas antes a boa gestão… Sabendo que o sucesso desportivo depende da conjugação de quatro premissas: honestidade, organização, entrega e compromisso.




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