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A levantar poeira

Há quem diga que não há memória de um tão amplo consenso, quanto às razões e fundamentos com que se procura derrubar este Governo: desde ex-presidentes da República a ex-ministros, partidos da oposição e centrais sindicais, passando por comentadores políticos, inclusive da área da coligação, todos têm afirmado que se esgotou o seu tempo. E a principal tónica dos discursos desse afrontamento prende-se com a exigência do “parar da austeridade”, face aos resultados pouco animadores nas metas apontadas, sobretudo para o crescimento económico e o emprego.

Narciso Mendes
14 Jun 2013

Uma das vozes que mais se tem destacado nesta contestação tem sido a de um “bonacheirão”, republicano e laico, que tomou a iniciativa de chamar a si, como pai da democracia, os seus ternurentos filhos da esquerda, que tantas vezes enjeitou ao longo do seu reinado. Pelo que, dadas as expectativas, se esperava que uma aliança resultasse desse encontro com um manifesto de verdadeiras, convincentes e novas soluções para ajudar a resolver a situação do país. Mas afinal, o que parecia ser um acontecimento produtivo, deu para ver que, juntamente com o estribilho das frases habituais, a montanha pariu um rato.
Já antes, o professor de Boliqueime, numa iniciativa presidencial, resolveu reunir o Conselho de Estado para, segundo ele, preparar as políticas, pós-troika, apesar de pressentir a instabilidade pelas dificuldades que se avizinham. Tal toque a reunir, veio a confirmar–se, apenas serviu para distrair a opinião pública. Pelo que esta não se fez esperar, dizendo que está bem patente que o homem quer evitar, a todo o custo, uma crise política, durante este seu último mandato, que teria dificuldade em resolver.
É óbvio, que das muitas acções levadas a cabo pelos nossos políticos, aos olhos do povo, só poderá ser tirada uma conclusão: andam a viver à sombra das ideologias que presidem aos seus interesses partidários e a entreter-nos com retórica e demagogia barata. Assim, nos vão transmitindo a péssima imagem de que, na sua perspectiva, quanto melhor é para o país é tanto pior para eles. No entanto, se o raciocínio que tem presidido aos comentários dos que advogam a queda desta coligação, são de facto sérios e patrióticos, faria todo o sentido que apresentassem alternativas às que resultariam do “fora com a troika”, dizendo onde se financiaria o nosso país, bem como quais as consequências em caso de sairmos do euro.
Lá bem no fundo, pensarão que o tempo é de espera. De mentalizar as massas, com ódio ao poder bastante, para ver se surte o efeito de uma maioria absoluta, da oposição, nas próximas eleições legislativas. E para se perceber a bondade desta gente, que se move nas frentes das contestações, basta determo-nos nesta greve às avaliações no ensino. O seu silêncio sobre a actuação de um sindicalista que usa este meio para atingir o seu fim, de olhos postos na liderança de um partido político, que todos sabem qual é, à custa dos indefesos alunos, inclusive dos seus pais e, até mesmo, do próprio país.
Uma certeza há, a de que já vão estando gastos os argumentos com que andam a abanar o Governo, para ver se cai. E, apesar de tanta excitação e esquizofrenia, nem os insultos, as vaias e gritos de demissão, surtem qualquer efeito. Então, estando as políticas erradas, as medidas e as previsões a falhar, porque espera esta gente, tão sábia, para evitar o desastre de que tanto falam? Ora, quando bastaram doze humildes apóstolos para mudarem a face ao mundo, por que razão não apresentam ao PR outros tantos bravos que, de entre um painel dos iluminados da nossa política, formem um competente Governo para dirigir a Nação?
Todavia, mais do que belos slogans de palavreado, “a levantar poeira para os nossos olhos”, por parte daqueles em quem ainda depositávamos uma réstia de confiança, o que se esperava eram reais garantias de que teriam um plano genial para Portugal. E depois queixam-se do abstencionismo.




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