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Santo António

Desde há dias que, em diversos pontos do País, se realizam festas em honra de Santo António. Festas que, a pretexto de homenagear quem procurou seguir Cristo, em alguns casos têm mais de pagão do que de cristão. Nada mais oportuno do que, embora muito resumidamente, lembrar quem foi Santo António, em cuja vida, humanamente breve, sobressai a incansável atividade evangelizadora. Nasceu Santo António em Lisboa, perto da Sé, talvez a 15 de agosto de 1195 (há quem diga que em 1191 ou 1192). Filho de Martinho de Bulhões e de Maria Teresa Taveira Azevedo, recebeu no batismo o nome de Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo.

Silva Araújo
13 Jun 2013

Começou por estudar na escola da Catedral, prosseguindo a sua formação no Mosteiro de S. Vicente de Fora.
Neste mosteiro tomou o hábito de Cónego Regrante de Santo Agostinho e depois (aos 17 anos) passou para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
Ordenado sacerdote em 1219 ou 1220, neste mesmo ano, seduzido pelo ideal de S. Francisco de Assis e desejoso de evangelizar os infiéis, trocou o hábito de Cónego de Santo Agostinho pelo burel de frade franciscano, e recolheu-se ao Eremitério de Santo António dos Olivais, ainda em Coimbra. Deixou então o nome de Fernando e passou a adotar o de António.
 
Embarcou como missionário para Marrocos mas a doença impediu-o de levar por diante esse projeto. Teve de voltar para trás. No regresso à pátria, um vento forte impeliu o navio para Oriente, vindo a atracar nas costas da Sicília.
Participou no Capítulo Geral da Ordem que começou em 20 de maio de 1221, em Assis, aí conhecendo S. Francisco.
Um sermão pregado em Forli, em setembro de 1221, revelou as suas capacidades, passando a dedicar-se à pregação e ao ensino.
Passou a vida dedicado à oração, ao estudo, ao ensino e à pregação, empenhando-se particularmente em demonstrar a falsidade das heresias dos cátaros e dos albigenses. Foi o primeiro professor de Teologia que teve a Ordem Franciscana. Impressionava o conhecimento que tinha da Sagrada Escritura.
Exerceu com muito êxito o ministério da pregação, sobretudo na França e na Itália. O magistério teológico exerceu-o em Bolonha, Montpellier e Toulouse.
Notável orador, faleceu no Oratório de Arcela, junto à cidade italiana de Pádua, em 13 de junho de 1231.
 
Aberto o seu túmulo em janeiro de 1981, apareceu o esqueleto sem carne mas muito bem conservado, faltando-lhe apenas o antebraço esquerdo e o maxilar inferior, que em séculos passados lhe foram tirados para relíquias. (José Leite, S.J., «Santos de Cada Dia», II vol., 4.ª edição revista e atualizada por António José Coelho, S.J., pag. 197-198).
«Da análise do esqueleto, levada a cabo pelos métodos mais modernos da eletrónica, concluiu-se que o Santo: não viveu só 36 anos como até agora se pensava, mas 39 e nove meses; tinha de altura 1, 68 m; era de perfil nobre, de corpo pouco robusto; a saliência nos ossos dos joelhos mostra que devia passar longas horas a rezar ajoelhado; o desenvolvimento dos ossos das pernas é sinal de ter andado muito».
Os exames radiológicos, informa Cruz Pontes, realizados em 29 de janeiro de 1981 pelos doutores G. Fonaciari, F. Mallegni e G. Regalini, seguiram o método de Dalitz.
 
Foi solenemente canonizado a 30 de maio de 1232 (11 meses e 17 dias após a sua morte), na catedral de Espoleto, pelo Papa Gregório IX que, pela sua erudição bíblica, lhe tinha chamado «Arca do Testamento».
É o santo padroeiro da cidade de Pádua. Ao contrário do que é corrente pensar, não é o santo padroeiro da cidade de Lisboa, lugar que é ocupado por São Vicente.
Em 1934 o Papa Pio XI proclamou-o padroeiro secundário de Portugal, a par com Nossa Senhora da Conceição.
Em 16 de janeiro de 1946 o Papa Pio XII, no Breve Exulta, Lusitania felix, juntou o nome de Santo António à lista dos Doutores da Igreja Católica, com o nome de doutor evangélico. Nele escreve que «quem percorre atentamente os Sermões do paduano logo descobre em Santo António o exegeta peritíssimo na interpretação das Sagradas Escrituras, o exímio teólogo no perscrutar os dogmas, o doutor e mestre insigne no tratar os assuntos da ascética e mística».
A sua memória litúrgica é celebrada a 13 de junho.
 
Volto ao que motivou o meu texto de hoje, sublinhando que Cristianismo e Alegria não são incompatíveis, bem pelo contrário. Existem, contudo, manifestações de alegria que se não coadunam com os princípios cristãos, e não há como saber discernir.




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