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Da discordância ao insulto

Como dizia o escritor britânico Samuel Butler, em finais do século XIX, o público compra opiniões da mesma forma que compra carne ou leite, partindo do princípio de que custa menos fazer isso do que manter uma vaca. É verdade – mas é provável que, por vezes, o leite saia aguado… Esta questão da “opinião” tem muito que se lhe diga, até porque as pessoas nem sempre estão dispostas a pensar pela sua cabeça, preferindo o pensamento das cabeças dos “fazedores de opinião” para formarem a sua.

Victor Blanco de Vasconcellos
13 Jun 2013

E não se pense que é um problema novo. Já Denis Diderot, o grande escritor e filósodo francês do século XVIII, costumava dizer que “existem cinquenta mil patifes que dizem o que lhes apetece nos jornais a dezoito milhões de imbecis”, que não querem (ou não podem…) pensar pela sua própria cabeça!
É bom que se diga que grande parte das opiniões que surgem nos “media” passam sem qualquer exame racional e, na maioria das vezes, não as admitiríamos se lhes prestássemos atenção. Até porque, com frequência, opina-se mais sobre as coisas frívolas do que sobre as importantes, sobretudo porque as primeiras são de compreensão mais fácil para o chamado “grande público”.
Nos últimos tempos, as nossas televisões e os nossos jornais têm dado razão a Blaise Pascal, quando disse que “a opinião é a rainha do mundo”. Todavia, é necessário ter presente que o facto de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda: na verdade, tendo-se em vista a maioria da sociedade, é mais provável que uma opinião difundida pelos “media” seja mais tola do que sensata. Tanto mais que, como escreveu Herbert Spencer, a opinião é determinada, em última análise, pelos sentimentos e não pelo intelecto… Talvez fosse por esta razão que Napoleão Bonaparte costumava dizer que tinha mais medo dos jornais do que de cem baionetas!
Não há dúvidas de que se deve valorizar a opinião que é publicada nos jornais e escutada na televisão. Realmente, é importante (já o dizia Shakespeare) aceitar a opinião dos outros – mas nunca devemos desistir da nossa própria opinião, especialmente quando temos a certeza de que não estamos errados.
Nesta questão das opiniões, é preciso ter sempre presente o que dizia Winston Churchill: “Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”!
Infelizmente, a maioria dos “fazedores de opinião”, que vão propalando as suas ideias pelos jornais e televisões do nosso país andam a confundir “opinião”, propiciadora de um sadio debate de ideias, com insultos aos políticos. Nos seus artigos jornalísticos e nos seus ditos televisivos chamam-lhes ladrões, mentirosos, vigaristas, palhaços e outros predicativos que tais. Será isso “fazer opinião”? Creio que não… A isto chama-se, simplesmente… insultar!
Pelo menos, é esta a minha opinião – e, por isso (como diria jocosamente Henri Monnier se fosse vivo), sou a seu favor!




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