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O  homem sem medo

Eu não tenho medo do resultado das autárquicas, eu não tenho medo do resultado das europeias, eu não tenho medo dos portugueses, nem do seu julgamento”, afirmou Passos Coelho. Mas alguém lhe perguntou se tinha medo?! Que eu saiba, não. Nem é caso para isso. Acontece apenas que não pode pôr a cabeça de fora, nem ele nem os seus ministros ou secretários de Estado, que lhe saltam logo às canelas vaias e apupos de todo o tipo.

Maria Helena Magalhães
12 Jun 2013

Obrigam-no, contrafeito, a andar cercado de seguranças mais ou menos brutamontes, quando ele preferiria, sem a menor das hesitações, andar descontraídamente a pé nos pequenos percursos, que o tempo não lhe sobra, ir de carro para o trabalho como qualquer outro cidadão, em dias mais folgados até poderia tomar o metro, ou o autocarro, ao invés da importunação que é ter de andar atrás no carrão e de motorista à tiracolo, coisas que o incomodam verdadeiramente. Ele que gosta tanto de viajar em económica quando tem de se deslocar ao estrangeiro, sente-se um português honrado e trabalhador, e que é absolutamente avesso a mordomias e outros esbanjamentos. Conta-
-se até que  num vôo da TAP em que por mero acaso também viajava José Sócrates, em executiva, claro, este foi cumprimentado diferentemente pelo chefe de escala que só depois se  dirigiu a Passos Coelho, o que terá deixado boquiabertos alguns passageiros que presenciaram a cena. E, como não podia deixar de ser, os jornais logo fizeram eco da peripécia o que, previsivelmente, o deixou completamente indiferente. Ou não fosse ele, Passos Coelho, quem prometeu, em plena campanha para as eleições que o viriam a confirmar primeiro-
-ministro de Portugal, cortar pela raiz aquilo a que chamou “gorduras do Estado”. E fê-lo. Ou não?!!
De igual modo garantiu que iria renegociar as famigeradas PPP’s e acabar de vez com esses ignominiosos sorvedouros de dinheiros públicos, reduzindo à sua real dimensão os investidores privados que se banqueteavam à mesa do orçamento, impávidos e serenos como se os tempos de austeridade que se adivinhavam não lhes dissessem respeito. E fê-lo. Ou não?!!
Por último, mas não menos importante, pelo contrário, Passos Coelho, acolitado pelo seu inexcedível ministro das Finanças, mergulhou o país que nele confiou numa profunda recessão, com um infausto cortejo de malfeitorias, desemprego que não dá mostras de estancar, falências em catadupa, tal como ele, previdentemente, avisou: “não vamos ter o paraíso na terra”. Porém, irá mudar Portugal. Fê-lo e promete continuar a fazê-lo.
Não fez o que prometeu e fez o que está nos antípodas do que prometeu.
É sem dúvida um homem sem medo.




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