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A fonte moralizadora de toda a moral

Quando ouvimos alguém a falar da conduta moral de um indivíduo, perpassa imediatamente pela nossa atenção, memória, imaginação, uma cabazada de palavras-chave, que vou aqui enunciar, presas entre si como as cerejas. Não podemos, por exemplo, afastar da conduta moral do indivíduo as suas ações e, destas, o bem ou o mal, a felicidade ou a desgraça. Não podemos afastar de tal conduta a consciência verdadeira da sua liberdade, autonomia e responsabilidade, relativamente às suas escolhas, decisões e atuações nem a consciência do badalar subjetivo a ribombar nas suas intenções.

Benjamim Araújo
12 Jun 2013

Não podemos afastar da conduta moral do indivíduo a força hercúlea do dever, a grandíloqua voz do ser que ecoa, incansavelmente, nos tímpanos.
Não podemos afastar dela a obrigação incómoda, imposta do exterior, nem a lei dura, nem a graciosa norma corretora.
Não podemos, por fim, ignorar a energia da virtude, como sentinela alerta a exigir da conduta do indivíduo a superação de todos os fagueiros e ilusórios obstáculos, que põem toda a espécie de problemas à integração e reintegração da energia da sua conduta moral na energia vital do nosso autêntico ser.
O que é então a moral? É frequente ouvir-se, quando parados nos cotovelos de uma esquina: a moral é a teoria racional do bem e do mal; a moral é um conjunto de regras de conduta tidas como incondicionalmente válidas; a moral está na base da realização de uma vida mais humana e de uma maior justiça nas relações sociais; a moral tem por função uma maior contribuição ajustada à eclosão do florescimento do humano na conduta do indivíduo.
Quanto a mim, a moral é, também, a risonha expressão da moralidade, tida como uma das manifestações da energia vital, imanente à nossa autêntica natureza, autónoma, livre, una e responsável. Esta natureza identifica-se, a si mesma, como sendo vida. A vida é amor e este é equidade, justiça, paz, luz, beleza, felicidade. A felicidade é globalidade. A nossa autêntica natureza identifica-se, também a si mesma, como sendo a nascente borbulhante e fonte de vida para toda a moral humanizante.
Esta é a moral que deve gerir e controlar a nossa conduta, bem como as consequências emocionais dos nossos estados vitais. Toda a gerência e controlo da conduta moral está sob a égide da pessoa, a representante e conhecedora de uma forma radical, intuitiva e contemplativa, à maneira de Jesus Cristo, do seu ser transcendental e com as janelas escancaradas para Deus.
A pessoa, através do seu esforço, da sua virtude e poder de integração, orienta toda a moral, pobre, desgrenhada (desgarrada da globalidade) para a sua única e verdadeira fonte. A pessoa levou, assim, a ressurreição e a vida, à moral pobre e desgarrada.
A moral pobre e desgarrada, como a materialista, espiritualista, racionalista, utilitarista, hedonista, entre outras, tinham, por interesses individuais e loucos, optado pela rotura com a fonte transcendental, a moralizadora de toda a moral.




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