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A greve dos professores

A greve aos exames tem a validade de um ultimato ao ministro da educação, Nuno Crato. Os pais estão ansiosos que o contencioso entre o ME e os sindicatos de professores tenha um desfecho que contente as duas partes. Quem serve de medida de troca são os alunos que podem ver deste jeito, isto é, caso se confirme a rutura nas negociações, ver prolongado o período de exames com evidente desassossego e crescente ansiedade. Por outro lado os professores vivem um clima de insegurança sem precedentes.

Paulo Fafe
10 Jun 2013

São funcionários públicos sem público e sem quererem ser especiais, na verdade desempenham uma função que outros funcionários não podem substituir. Por isso se estranha que o sr. ministro da educação se pronuncie no sentido da requisição civil como se eles fossem médicos em banco de urgência, maquinistas em serviço de alguns comboios, ou aviadores de voos não cancelados. Na verdade o que se poderá entender por serviços mínimos dos professores em dias de exame? Ou estão lá, ou não estão. Será possível pensar-se numa vigilância mínima, género um professor por piso, ou um professor por cada duas ou três salas? Talvez seja nisto ou em situações similares que o sr. ministro Nuno Crato esteja a pensar. Numa situação limite, então até poderá fazer de vigilantes pessoas estranhas à docência, funcionários administrativos, por exemplo. Também poderá fazer de um assistente de bordo um comandante de cabine? Julgo que o sr. ministro Nuno Crato não recorrerá duma coisa destas sob perigo de atear tal incêndio que nele se venha a queimar. É verdade que uma greve lesa sempre alguém quer os que ficam em terra sem avião, perdendo encontros sentimentais ou de negócios, os que ficam sem comboio perdendo uma chegada desejada, ou os que ficam sem ser operados, perdendo a saúde preciosa. Mas para isso é que o recurso à greve, em situa-
ções tais é que se aproveita. A greve não é inócua. É, por definição, uma luta de classe e um corolário de um falhanço negocial. Em democracia nada há a dizer a respeito do direito à greve. Poupar dinheiro no ME é um imperativo nacional, como o é noutros ministérios; fazer exames é outro imperativo nacional, mas salvaguardar o emprego de docentes que já o são há décadas, e agora vem-se na iminência de perder o seu lugar,é mais que um imperativo nacional, é um imperativo de dignidade pessoal. Por isso há que saber distinguir muito bem no  que há que cortar para se não cortar onde não deve. Poupem em representações, em banquetes, em receções suntuosas, em viagens ao estrangeiro, em viaturas e seguranças, em horas extraordinárias, diminuam assessorias e talvez aí encontrem os dinheiros que escasseiam para formar os homens de amanhã. Sempre se disse que os gastos na educação era um investimento. Pois então invistam mais e gastem menos. Os sindicatos dos professores também não podem servir-se dos seus associados como arma de arremesso contra o governo. A inflexibilidade de uns e de outros não apadrinha um entendimento e em última análise lembrem-se, ME e Sindicatos, que está em jogo o esforço de milhares de estudantes.




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