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Experiência de quase-morte (3)

Da análise dos depoimentos recolhidos, Moody deduz que o momento de mais intensidade emocional na experiência de quase-morte (morte clínica) é quando o ser de luz apresenta ao sujeito uma visão retrospectiva da sua vida. Visão que foge aos padrões da nossa memória habitual, que é lenta, nem sempre clara e por ordem cronológica. Quem passou por esta experiência descreve esta visão retrospectiva como instantânea, viva, real e onde se pode ver tudo do seu passado, desde as coisas mais insignificantes até às mais significativas, com uma grande riqueza de pormenores e com as emoções e sentimentos associados às respectivas imagens.

M. Ribeiro Fernandes
9 Jun 2013

Há, nesta visão retrospectiva, um aspecto significativo: enquanto revê todas as cenas, o ser de luz parece enfatizar duas coisas:
– o essencial é aprender a amar as outras pessoas,
– aumentar o nível dos seus conhecimentos com um processo contínuo.
Um sujeito que narrou a sua experiência diz que percebeu que “este processo contínuo de aprendizagem continua mesmo depois da morte”.

1. Todos os depoimentos são unânimes em reconhecer que, a certo momento, perceberam que havia uma fronteira entre a vida e a morte e que não a iam atravessar, porque iriam regressar aos seus corpos; mas, apesar dessa vivência de quase-morte poder ter durado relativamente pouco tempo, ela foi tão marcante que, no momento do regresso ao corpo, já se  havia operado uma mudança de atitude pessoal. Quem passou por essa experiên-
cia sente-se modificado no seu modo de estar e de pensar. O Dr. Ring diz que “de um modo geral, podemos afirmar que qualquer experiência de quase-morte faz surgir um sentimento de crença em Deus, mesmo no caso daqueles que, anteriormente, eram ateus. Verifica-se uma grande preocupação com a vida, com a natureza, com o ambiente, menor severidade no juízo a seu respeito e maior compreensão com os outros. São mais espiri-
tuais”. É um fenómeno semelhante a uma intensa experiência de conversão, como se descobrisse e vivesse a presença de Deus na sua vida.

2. Num outro caso, citado por Moody, pode ler-se: “na sequência da minha experiência, foi quase como se tivesse um novo espírito. Desde essa altura, muitos comentaram que eu pareço ter sobre eles um efeito instantaneamente calmante, quando estão agitados. E parece que estou mais ligada às pessoas, parece que consigo sentir as coisas a respeito delas mais depressa… Tenho a sensação de adivinhar o pensamento e a vibração das pessoas, sentir o ressentimento vindo dos outros. Muitas vezes, sou capaz de dizer o que as pessoas iam dizer antes de elas falarem. Não sei se é algo que adquiri enquanto estive morta ou se já estava latente em mim e eu nunca o tinha usado até acontecer a minha quase-morte”.

3. Essa experiência tem também um efeito profundo na atitude da pessoa em relação à morte física, em especial para aqueles que não esperavam que acontecesse qualquer coisa depois da morte. Em geral, quase todos os que passaram por uma expe-riência de quase-morte disseram que deixaram de ter medo da morte. Isso não quer dizer que a pessoa procure activamente a morte, pois sabe que tem tarefas a cumprir enquanto estiver vivo e tem as suas preocupações éticas, mas que descobriram algo que lhe mostrou um sentido diferente da vida.

4. Os primeiros sentimentos que se seguiram ao instante da morte clínica são “um desejo desesperado de voltar ao corpo”; mas, logo que a pessoa atinge uma certa profundidade na sua experiência de quase-
-morte, ela não quer voltar ao corpo.
Contar aos outros a sua experiência? Uma pessoa que passou por essa experiência não tem qualquer dúvida em relação à sua realidade, tal foi a clareza e a intensidade com que a viveu; mas, o receio de ser mal julgado pode levar a escondê-la. É o normal receio de mostrar a sua intimidade: ninguém conta a sua vida íntima a qualquer pessoa, mas apenas a alguém que lhe mereça confiança e compreensão.




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