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Nunca mais…

Retirado o período da discussão do Orçamento Geral do Estado, momento alto da exibição parlamentar, o que fazem os nossos 230 deputados durante o resto do tempo? É uma pergunta, cuja resposta me parece bastante simples e óbvia. Encaixam-se nas comissões da especialidade para discutir coisa nenhuma; depois inventam comissões de inquérito para esgrimirem argumentos sofisticados que, no final, nunca dá em nada, nem se imputam responsabilidades a ninguém; preparam-se partidariamente para os debates quinzenais só com a intenção de fragilizar quem está no poder e de se mostrar que estão presentes; e nos momentos de maior tédio, procuram levar à cena uma agenda de futilidades, na qual se enquadra o recente caso fraturante da coadoção de crianças por “casais homossexuais”.

Armindo Oliveira
8 Jun 2013

Esta proposta foi aprovada no dia 17 de maio com 99 votos a favor. Com esta aprovação quiseram trespassar para o público a ideia que Portugal tem uma democracia moderna e é capaz de provocar avanços civilizacionais significativos no que toca à pretensa igualdade entre todos os cidadãos e grupos sociológicos.
Por incrível que pareça, a discussão e aprovação deste diploma fraturante passam-se numa altura de grande preocupação social, de emergência económica e de falência financeira com o desemprego a bater vergonhosamente recordes. Passam-se numa altura em que as pessoas e as famílias se vem a braços com tremendas dificuldades para fazer face à própria sobrevivência. Como foi possível os nossos representantes políticos andarem a perder tempo com coisas perfeitamente supérfluas, descontextualizadas do inimaginável sufoco social, quando o país precisa urgentemente de ideias geniais, de projetos arrojados, de debates sérios, de consensos alargados, de envolvimento das pessoas para se resolver o gravíssimo e insanável problema que nos atinge e atinge as empresas? Falta de sensatez e de vergonha? Só pode ser brincadeira de mau gosto e é o resultado de parlamentares de pouca visão e com duvidosa responsabilidade.
 Onde está o patriotismo desta gente que deveria estar na primeira linha da resolução dos problemas que abala o país que, apesar dos enormes cortes e de severa austeridade, vive no limiar da bancarrota? Onde está a clarividência dos eleitos que não se apercebem que a coadoção por “casais homossexuais” é um simples “fait divers” que causa muito mais incómodos do que benefícios?
Sejamos sérios e racionais. Nesta altura de grande aflição e de profunda crise nunca este “assunto” deveria estar na agenda do Parlamento, dado que as pessoas estão vulneráveis perante as dificuldades e não querem saber positivamente se este ou aquele grupo com maior ou menor pressão social vai conseguir os seus intentos, mesmo fundamentados com a ladainha das igualdades ou de coisas semelhantes. Estas posições e estas legalidades não acrescentam nada à melhoria da situação. O que os portugueses querem e desejam é que apareçam políticos sérios com ideias e com projetos viáveis para resolver os problemas e dar um passo em frente na criação de riqueza e de emprego. O que os portugueses querem é que apareçam investidores que coloquem os seus capitais para a economia funcionar com normalidade. É isto o que os portugueses querem.
Todos sabemos que os deputados da nação não prestam serviço exclusivo no Parlamento. Muitos são advogados em pleno exercício das suas funções nos seus escritórios; outros são administradores não executivos das grandes empresas, outros fazem serviços de consultoria, outros têm os seus biscates; outros ainda inventam ocupações para matar o tempo. Perante esta realidade é caso para perguntar. Para quê tantos deputados?
Com este número de parlamentares, com esta qualidade de deputados e com esta agenda de preocupações que apresentam para discussão, eu nunca mais votarei. Nunca mais.




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