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Quando o futebol nos dá lições

Não tenho dúvidas em afirmar que esta época futebolística foi diferente do habitual. Há um grande que foi pequeno (Sporting), alguns pequenos tornaram-se grandes (Estoril, Paços de Ferreira, Vitória de Guimarães) e o campeonato foi muito renhido mesmo até ao fim, coisa que não é assim tão frequente. Semelhante com os anos anteriores, só mesmo a vitória do Futebol Clube do Porto no campeonato. É caso para dizer, e adaptando o ditado, «o futebol são onze contra onze e no final ganham os azuis e brancos». Cedo o meu sportinguismo virou frustração porque rapidamente se esvaíram todas as esperanças numa época melhor e mais colada ao Porto, ao Benfica ou ao Braga. Mas enfim, antes perder ao longo da época do que perder tudo em duas semanas. Sofre-se menos!

Luís de Sousa
7 Jun 2013

Analisando as principais competições nacionais de futebol, apercebemo-nos da nortada que varreu a época. Digo nortada, porque o norte chamou a si os principais troféus futebolísticos: o Campeonato para a Cidade Invicta, a Taça da Liga para Cidade dos Arcebispos e a Taça de Portugal para a Cidade Berço. Assim, o leque de adeptos que pôde festejar uma conquista foi mais abrangente, não se tendo concentrado os troféus num ou dois clubes, como de costume. A norte, também merece ser enaltecida a conquista do Paços de Ferreira que conseguiu um lugar na pré-eliminatória da Liga dos Campeões.
Se a norte muitos festejaram, a sul também houve adeptos a festejar: os Benfiquistas. Na verdade, o Benfica festejou o Campeonato, a Liga Europa e a Taça de Portugal. O problema foi festejar antes do tempo! E é aí que eu acho que está a grande lição desta época. É que, como diz o ditado, “não devemos deitar foguetes antes da festa”. Não gostei da forma como Jorge Jesus falou em certos momentos do campeonato, bafejando alguma arrogância como se o Campeonato já estivesse na mão. E ficou-lhe mal dizer que “ganhou limpinho” quando era evidente que tal não tinha acontecido (Benfica-Sporting, 21 de abril de 2013).
Não quero com isto dizer que é mau treinador, pelo contrário. Mas ficava-lhe bem um pouquinho mais de humildade e imparcialidade na hora de analisar o jogo da própria equipa. Também não tenho dúvidas em afirmar que o Benfica foi, provavelmente, a melhor equipa portuguesa esta época. Por isso, eu acho que Jorge Jesus deve continuar no Benfica. Afinal de contas, ele perdeu por azar e não por incompetência. Faltou-lhe a sorte que outros tiveram, é um facto. O minuto noventa e dois dos jogos contra o Porto e o Chelsea foi crucial para transformar uma época que se julgava espetacular num pesadelo. E no fim da tarde do dia 26 de maio, dia da final da Taça de Portugal, lembrei-me da Nona Estação da Via-Sacra: “Jesus cai pela terceira vez”. De facto, deve ser mesmo triste perder tudo, em tão pouco tempo e desta maneira!




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