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O Bom Senso

Durante o mês de Agosto de 1983, Mário Soares e seu governo assinaram um memorando com o Fundo Monetário Internacional para ajuda ao país e a austeridade instalou-se, aos pontos de passar-se à gritante subida de impostos; os preços dispararam sem regras; a moeda desvalorizou; salários em atraso e falta de empregos eram “a chaga social”; havia bolsas de fome no país inteiro; o crédito deixou de existir e Mário Soares lá ia dando as suas justificações, tais como: “A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”; “O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalamos”;

Artur Soares
7 Jun 2013

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar”; “A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço”; “Anunciamos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo financeiro, reduzir os défices e não caminharmos para a bancarrota”; Não foi de facto com alegria que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um político sê-lo nas condições actuais”; “Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”.
Ora o caos e a austeridade nesses anos 80/90 foi trabalho, foi política, imposição, fome e até foram criadas “as facilidades para as empresas em despedir os seus empregados”. Tudo isto foram “feitos” de Mário Soares!
E para que os tolos fiquem devidamente loucos, pasmados, duvidosos do que ouvem, vem Mário Soares agora, cerca de trinta anos após o seu reinado, reunir todas as esquerdas, colar com o melhor betume todas as esquerdas, esmiuçar – com todas a esquerdas sob sua orientação e perfeição – a política de profunda austeridade iniciada pelo seu camarada Sócrates e por estes desinspirados Passos Coelho e Cavaco Silva!
É claro que não se defende o que se passa e muito menos se tentará justificar quem quer que seja!
Mas político que esquece o que já fez e o que disse para atacar outros adversários, ou está distraído ou julga o povo estúpido. Lá diz o velho ditado: “… e não ames a quem amou”.
É de crer que o Bom Senso, antiquíssimo entre nós, aprumado, justo, com milhares de adeptos que o utilizavam para ensinar a Verdade e a Confiança, morreu para muitos, especialmente entre os medíocres políticos que se elegeram. Esta subserviente gente, telecomandada, atores de palcos apodrecidos, desclassificaram o Bom Senso: atacam os frágeis, abatem o sistema da saúde, o ensino e a educação –  através do vexame de professores – defendem os criminosos da Nação, ostracizam os que querem trabalho e, permanentemente mandam abrir valas para enterrar aqueles que recebem o fruto dos seus descontos de quatro ou cinco décadas de trabalho.
Mário Soares, que foi um vulgar político, mas caríssimo ao país em esbanjamentos de vária ordem, podia ter mas não tem senso suficiente e, capaz de se colocar à frente de “todas as esquerdas políticas” e ajudar em soluções e ideias, em prol do país que tudo lhe deu – sem nada receber – em vez de se agitar ao lado de alguns órgãos da Comunicação Social que não passam (também) de aventureiros da Informação.
Políticos e criminosos da economia nacional têm deturpado o Bom Senso com infames
atuações. Têm confundido honestidade com a ânsia do poder e dos privilégios. Têm-se servido da paciência do povo e escarnecido a justiça social e não se importando de devorar seja quem for.
Parece que a maioria do povo português é indiferente a ser ludibriado para depois chorar frequentemente; parece gostar de sentir à sua volta o eco das promessas e do cheiro da esperança; o povo português, a maioria repito, parece gostar de fazer carreiros e caminhar neles sob chicote, e se possível, ao som de tambores, de foguetes e de concertinas.
Perante tanta falta de Bom Senso, de cérebros capazes para servir o país, restam duas hipóteses: ou reúnem os mais inteligentes e os melhores pensadores estrangeiros que nos aceitem orientar e formar, ou regressamos à Monarquia (não absolutista), às origens, onde inclusivamente se podem poupar despesas em eleições, sobretudo os votos da presidência da República que, em Portugal, nada diz ao povo. Assim, o Bom Senso regressaria.

 




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