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A “revolução” alemã

Na atual conjuntura política e social em que vivemos, subjugados pela ideologia da Sr.ª Merkl, talvez seja “politicamente incorreto” falar do futebol alemão como paradigma da revolução que urge fazer-se no futebol português. A verdade, porém, é que contra factos não há argumentos – e o futebol alemão merece ser olhado como “exemplo”. A referida “revolução” no futebol germânico começou há pouco mais de uma década, quando, no Euro-2000, um hat-trick de Sérgio Conceição humilhou a Seleção alemã, derrotada sem apelo nem agravo pelo “onze” português. A Alemanha de Matthäus, Khan e Hässler foi chutada para fora daquela competição sem vitórias e com apenas um golo marcado em três jogos!

Pedro Álvares de Arruda
7 Jun 2013

Perante isso, a Alemanha sentiu que era necessário mudar a estrutura do seu futebol. E aí começou a tal “revolução” – que deu claros frutos na presente época, com duas equipas germânicas na final da Liga dos Campeões (Bayern de Munique e Borússia de Dortmund).
Que se fez na Alemanha para se atingir tão elevado nível competitivo pouco mais de uma década depois da “humilhação” sofrida no Euro-2000? Várias coisas…
Desde logo, investiu-se fortemente no futebol de formação, com uma clara aposta nas academias para jovens futebolistas. Aliás, tornou-se obrigatória a frequência de uma academia para se poder jogar na 1.ª e 2.ª ligas. O resultado está à vista: o índice de estrangeiros a disputarem a Bundesliga desceu (drasticamente) dos 60% em 2002 para (apenas) 40% na época transata.
Também os técnicos passaram a ser obrigados a frequentar academias de treinadores, criando-se, para esse efeito, a já famosa Academia Hennes-Weisweiler. O resultado também é visível: na época passada, Lucien Favre, técnico do Mönchengladbach, foi o único treinador estrangeiro a trabalhar na Alemanha. O mesmo se verifica com os dirigentes: os clubes têm de incluir nos seus quadros homens que “percebam” de futebol (por exemplo: Hoeness, Rummenigge, Sammer e Breitner são diretores no Bayern, sem esquecer Franz Beckenbauer, presidente honorário do clube de Munique; e Zorc e Ricken são diretores no Dortmund – tudo velhas glórias do futebol germânico, que o conhecem como a palma das mãos…).
Outras medidas importantes foram a aposta na melhoria das estruturas físicas do futebol (com novos relvados, naturais e sintéticos) e uma atitude enérgica no que respeita aos orçamentos das equipas de futebol: clubes com dívidas descem imediatamente de divisão, sem apelo nem agravo! Em 2004 (recorde-se), o Bayern emprestou dois milhões de euros ao Dortmund para que este clube se mantivesse na 1.ª Liga, pois a sua situação de bancarrota ia lançá-lo na 3.ª divisão… Atualmente, a Federação alemã de futebol exige, no início do campeonato, garantias inequívocas de um orçamento exequível para toda a época, sob pena de imediata descida de divisão!
Outra decisão importante foi a de “chamar” adeptos aos estádios. Na época transata, o preço médio dos bilhetes para assistir a um jogo da Bundesliga cifrou-se em 12 euros/jogo, dando esses bilhetes direito ao uso de transportes públicos gratuitos no dia dos jogos… Não admira, por isso, que, apesar de todos os encontos da 1.ª Liga serem transmitidos em direto pelas TVs germânicas, os estádios estejam sempre completamente lotados…
O futebol português também precisa de uma grande “revolução”. Talvez o exemplo da Alemanha ajude!




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