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Violência no desporto e não só

1Domingo à noite vi na televisão imagens de condenável violência ocorridas no final de um jogo de futebol de juvenis entre as equipas do Futebol Clube do Porto e do Sport Lisboa e Benfica. Já em cima dos oitenta minutos o Benfica empatou o jogo sagrando-se campeão nacional na modalidade. O facto não foi bem aceite e a violência envolveu jogadores e adeptos. Nesse mesmo dia vi no facebook a notícia de que uma professora da Escola Padre Alberto Neto (Agrupamento Queluz-Belas) tinha sido agredida por um aluno de 18 anos. Atingida por um pontapé no peito, caiu pelas escadas e teve de receber assistência hospitalar.

Silva Araújo
6 Jun 2013

Oito dias antes tinha ouvido de um octogenário a narrativa de que, ele e a esposa, tinham sido agredidos e roubados aqui em Braga, em pleno dia, na Rua do Raio.
Três casos de violência, provocada por diversos motivos, a que se poderiam juntar outros mais.
Casos que manifestam a grave doença de que enferma a sociedade em que vivemos e a que urge pôr termo, eliminando as causas que lhes estão na origem.
 
2. Por detrás de tudo está a falta de educação. Falta de educação que leva à falta de respeito pelo outro. Falta de educação que gera um egoísmo selvagem, onde os fins justificam os meios e onde os outros pouco ou nada contam. Falta de educação originada por uma generalizada falsa ideia de liberdade, que a confunde com libertinagem e selvajaria e não tem em conta os justos limites da verdadeira liberdade. Falta de educação a que não pode deixar de estar ligada a falência da autoridade, destituída de poder ou incapacitada de intervir para contrariar, ralhar e sancionar, porque passou a ser proibido proibir.
 
3. Os responsáveis pela educação – Família, Escola, Igreja – deverão meditar seriamente na situação. E os poderes públicos têm o dever de darem a todos os agentes educativos os meios necessários ao exercício cabal da sua missão.
Que se ponha termo, antes de mais, à destruição da família, tendo a coragem necessária para fazer marcha-atrás em medidas que tão maus resultados têm dado.
Que todos os que são constituídos em autoridade possam efetivamente exercer o poder, sempre com humanidade mas também com o rigor e a firmeza que as circunstâncias exigirem.
A vida em comunidade é impossível sem o respeito por um conjunto de regras. Que se levem as pessoas, desde a mais tenra idade, a saberem aceitar e cumprir esse conjunto de regras básicas. E quem as não quiser cumprir, que sinta as consequências.
Insistir na prevenção. Não desistir nunca disso. Mas quando a prevenção não resulta, porque não recorrer a uma proporcionada repressão?
 
4. Salientei as responsabilidades educativas que recaem sobre a Família, a Escola e a Igreja, não deixando de salientar serem os pais os primeiros e principais educadores. Mas toda a sociedade deve sentir-se envolvida nisso. Depende de todos a criação de um ambiente em que cada um se sinta respeitado na sua dignidade e nos seus direitos. Infelizmente, porém, não faltam exemplos de violência física e verbal, muitas vezes protagonizados por pessoas que, pelos lugares que ocupam e pelas funções que desempenham, têm o dever de pública e privadamente assumirem um comportamento exemplar.
 
5. Abri esta reflexão com um caso ligado ao futebol.
 A prática desportiva não deve estar dissociada da vertente educativa.
O desporto – seja o futebol seja qualquer outra modalidade – não deve deixar de ser uma escola de formação em todos os aspetos.
Formar o desportista exige, antes de mais, a formação do homem, com todo o conjunto de virtudes que qualquer ser humano tem o dever de assimilar e praticar. Tais virtudes não podem deixar de incluir o respeito pelo outro. A lealdade e a honestidade. A escolha dos métodos usados, porque também no jogo – em qualquer jogo – os fins não justificam os meios e a ética deve ter lugar.
O desporto não deve deixar de ser praticado com desportivismo. O adversário – nunca o inimigo – não deixa de ser um ser humano como eu, e como tal deve ser respeitado. Também tem direito à sua integridade física e moral.
Ninguém pode levar a mal que o adversário recorra a todos meios lícitos para ganhar. No fim, que se saiba aceitar a vitória ou a derrota. Que se saiba ganhar ou perder, mostrando ser verdadeiro o aforismo de que perder e ganhar tudo é desporto. Que se reconheça o valor do adversário e não haja a mínima relutância em felicitá-lo por isso.
 
6. O desporto não envolve apenas os participantes no jogo mas todos os que a ele assistem. Uma coisa é incitar a equipa por quem se nutre simpatia e outra, acirrar ódios, arremessar objetos, incitar a qualquer tipo de violência.
Há que rever o comportamento de claques desportivas que, em alguns casos, terão ido além de, por métodos ordeiros, entusiasmarem os seus. Também dos elementos das claques se exigem mostras de educação e desportivismo.
 
Estou persuadido de que, se todos quiserem, uma prova desportiva não deixará de ser um agradável momento de festa. Convertê-la numa batalha campal ou num chorrilho de insultos…
 




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