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As limitações do ser humano (I)

O homem é grande ou insignificante conforme o que pensa de si próprio e dos seus limites. Uma das maiores descobertas que o homem pode fazer é o verdadeiro conhecimento das suas limitações. A força humana tem um sentido, tanto de limitação, como de faculdade e potencialidades. A pessoa que não se apercebe das suas limitações bem depressa vai além das suas próprias possibilidades e, então, a sua força transforma-se em fraqueza. Há tantos super-homens por esse mundo fora que ficam cegos e obstinados nas suas ideologias, a ponto de insistir nos exageros, nos excessos impossíveis, bem como na pseudo-certeza das suas capacidades, julgando que tudo podem conseguir, mas que, quando menos o pensam, acabam por cair aos pés da sua fantasia, do seu orgulho, da sua ousadia e do seu fanatismo desmesurado.

Artur Gonçalves Fernandes
6 Jun 2013

Assim acontece com todos os ditadores que imaginam que todos os outros devem estar ao seu serviço em total subserviência. O mesmo sucede com aqueles governantes, gestores, responsáveis, jornalistas e comentadores que pensam que só eles é que são os detentores da verdade, insistindo nas suas falíveis convicções, atropelando os direitos dos outros, não dialogando com eles, cortando-lhes a palavra e, teimosamente, persistindo no seu erro até caírem de podres ou alguém os desalojar, saindo ingloriamente. Têm leituras enviesadas e tendenciosas, estando ao serviço dos grandes interesses. Ainda há dias, um conceituado analista político que eu, aliás, muito admiro até como pessoa, num dos seus comentários e ao dar exemplos de pleonasmos desnecessários, nomeou este: “ter a certeza absoluta” e esclareceu que quando se diz “ter a certeza”, não há necessidade de acrescentar o qualificativo “absoluta”, uma vez que a certeza já é absoluta. Ora isto, afirmado num comentário semanal, é grave. Aliás, esta sua asserção é um exemplo de que nem toda a certeza é absoluta. Relembro-lhe os princípios básicos da filosofia que ele estudou no liceu, no capítulo dos conceitos e espécies de certeza e de outros estados da razão perante a realidade. Disto tenho eu a certeza absoluta e não uma outra certeza, quer física, quer moral. Muito menos uma mera dúvida ou até uma probabilidade.
Quando temos a humildade de dizer que não sabemos ou não podemos em relação a certas temáticas ou ações, é sinal de grandeza, de dignidade e de autoridade pessoal. Cada pessoa tem as suas próprias limitações. Um indivíduo obeso não poderá, em princípio, ser jóquei; um homem fisicamente débil não servirá para pugilista; quem tem uma inteligência média não possui, no limite, aptidões suficientes para ser um génio em ciência espacial. Ninguém pode ser tudo aquilo que quer, nem fazer tudo o que desejaria. Todos estamos limitados pelas nossas condições físicas, mentais e culturais. No entanto, cada um tem as suas próprias vantagens físicas e intelectuais, as suas faculdades e os seus talentos. Tais diferenças não constituem, porém, qualquer desvantagem, tanto sob o ponto de vista individual, como coletivo. Todos temos os nossos talentos que devemos pôr a render. Se assim o fizermos, todos seremos felizes, quer tenhamos dez, cinco ou apenas um talento. Por isso, é um grande erro pedagógico querer uniformizar e padronizar as vias de ensino, quando os dotes e as características de cada educando são distintos. Os “grandes pedagogos” ministeriais, na sua impreparação e até incompetência, laçam leis, decretos, despachos e diretivas tão aberrantes que, muitas vezes, violam a própria natureza humana dos alunos, por não terem em conta as aptidões intrínsecas de muitos deles. Esta é uma das causas do insucesso escolar e da frustração de um grande número de discentes e, por arrastamento, dos próprios docentes. A natureza humana implica um projeto para cada um de nós, o qual deve ser desenvolvido e não meramente contrariado. A legislação orientadora do ensino deve ser elaborada de tal modo que cada aluno possa potencializar o seu projeto até atingir o teto implícito nas suas apetências naturais.




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