Fotografia:
Ser igreja e a sua propedêutica

Como ponto de partida, vou chamar Igreja à peregrinação da humanidade, em massa, em direção à sua definitiva salvação em Deus. Não vou pôr Jesus Cristo como referência desta Igreja aqui definida. Vou pôr Jesus Cristo, mais adiante, isso sim, como o modelo singular, prático e orientador da humanidade em peregrinação para Deus. Esta Igreja ainda não é cristã (católica, ortodoxa, protestante, evangélica?). Não é a Igreja islâmica, budista, nem hinduísta, nem judaica. Esta Igreja, orgulhosa de ser o alicerce granítico de todas as Igrejas, que se reclamam de o ser, erige-se do âmago do nosso ser imortal e autêntico que se rotula, a si mesmo, de uno, real e concreto. Esta Igreja foi batizada em água e em espírito, pelo bem considerado abade da freguesia e os padrinhos atribuíram-lhe o nome de Igreja transcendental.

Benjamim Araújo
5 Jun 2013

A água e o espírito são os símbolos, respetivamente, da materialidade do corpo e da espiritualidade da alma. Por sua vez, corpo e alma são manifestações do ser uno, constituído pela sua corporalidade espiritualizada. Isto foi declarado, com ponderação, no ato do batismo pelo reverendo abade.
 O facto deste alicerce granítico ser uno, isto é, estar para lá da unidade, da composição ou associação, vai trazer muitos incómodos para uns e rejeições por outros. Porquê? O reverendo abade explica que este Uno, autónomo, livre e responsável, exige, determinantemente e sem rejeições, a união, em solidariedade e fraternidade, dentro e entre todas as Igrejas, mesmo (e sublinhava isto com um sorriso maroto) nas suas abespinhadas diversidades, individualidades, especificidades e orgulhos. Este ser, alicerce desta Igreja, espaneja o seu perfil na identidade do arco-íris, pujante de vida, amor e paz; de sabedoria, luz e beleza; de justiça, compaixão e perdão? É este e só este arco-íris, que arqueia sobre o caminho, que as Igrejas têm de calcorrear pela estrada da vida. Vou chamar estrela transcendental a esta identidade. É desta estrela, cintilante, luminosa e imperativa, que sai a necessidade da peregrinação da humanidade, em massa, para a nossa salvação em Deus, passando por Jesus, modelo.
Os padrinhos também explicaram a razão do nome transcendental, aplicado a esta Igreja. Contudo estavam muito apreensivos com a educação a ser ministrada ao indivíduo (a humanidade).
A humanidade é um ser da mente com fundamento no indivíduo. O que existe, real e objetivamente, são os indivíduos. O indivíduo torna-se então Igreja, quando a sua pessoa, como embaixatriz do seu autêntico ser, o conhece, clara e distintamente. A pessoa conhece também o ser nas suas exigências, que culminam na união, sintonia e vivência da sua vida com Jesus e com Deus.
Há sempre uma necessidade urgente e irremovível de educar integralmente a pessoa no âmbito da cultura do seu íntimo ser. As forças mais disponíveis e sintonizadas para a educarem saem, com pujança, segundo a minha opinião, das Igrejas Cristãs e de um modo muito especial da Igreja Católica, sem obliterar as não cristãs. Gostaria de envolver, no espírito desta educação, o coração bondoso, terno e carinhoso do Papa Francisco e o intelecto profundo, rigoroso e crítico de Bento XVI.
A ciência, a arte e a religião conectam-se e sintonizam-se, respetivamente, com a sabedoria, o belo e o religioso, imanentes ao ser, para o homem ser verdadeiramente homem.




Notícias relacionadas


Scroll Up