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Tempo de pensar e agir!

O mundo persiste turbulento e o nosso país, como que querendo acompanhá-lo no frenesim, está imerso em dúvidas e prometidas agitações. Os desastres naturais na América, a guerra civil na Síria, as manifestações contra a austeridade em diversas cidades europeias e os recentes tumultos violentos na Turquia são apenas algumas notícias que, a somar à conjuntura vivida entre nós, nos farão mergulhar na mais inquieta perturbação. O desassossego ainda será maior, se nos detivermos sobre os assuntos que entre nós estão na ordem do dia, como as greves já avisadas e os efeitos na vida dos portugueses de outras medidas que pairam no ar.

J. M. Gonçalves de Oliveira
4 Jun 2013

As paralisações dos guardas prisionais, dos transportes públicos e dos professores a que se juntará uma propalada greve geral, pelas implicações que poderão ter, devem constituir tema de profunda reflexão para os cidadãos comuns e uma preocupação acrescida para o Governo. Para os primeiros, no sentido de aquilatarem das verdadeiras razões das paragens laborais e das suas consequências; para os responsáveis governamentais, no intuito de tudo fazerem para tentarem aproximar posições de modo a que, atempadamente evitem mais empobrecimento e mais alvoroço.
Se qualquer greve traz sempre prejuízos, a que se anuncia nas escolas para o final do ano letivo, em plena época de avaliações e exames, acarretará além de perdas materiais importantes, privações de ordem psicológica e afetiva para milhares de alunos e danos irrecuperáveis para outras tantas famílias. Não pretendendo ajuizar dos motivos e da oportunidade de tal ação, julgo que a todas as partes envolvidas deve ser exigido o maior esforço para o consenso necessário, de modo a evitar uma paralisação que, em muitos casos, poderá mesmo pôr em risco a saúde mental de muitos dos nossos jovens.
No que às outras paragens laborais já avançadas diz respeito, acredito que terão uma adesão inversamente proporcional à capacidade que o Governo tiver para explicar com frontal abertura e verdade os impedimentos de trilhar outro caminho. Do mesmo modo, acredito que neste momento de grandes dificuldades sentidas pela maioria do povo português, qualquer medida que lhe possa agravar o estado de penosidade carece de ser bem explicada, sob pena de alimentar a fogueira da contestação que uns tantos sempre aproveitam para a fazer crescer.
Neste tempo de grandes incertezas, inseridos numa Comunidade Europeia, que tarda em acordar para as mudanças necessárias ao renascer da esperança, devemos considerar os últimos motins na Turquia como mais um sinal dos perigos que latejam e ameaçam os povos do velho continente.
Quando as razões dos amotinados encarnam no repúdio a um regresso à islamização de um país que se habituou a ter alguns padrões de vida ocidentais, é importante não só apoiá-los na sua indignação, como também colher deles os devidos ensinamentos.
Numa Europa envelhecida, por ter sido descurada a necessária renovação geracional, onde muitos jovens têm necessidade de emigrar para outras paragens por manifesta falta de emprego, este é mais um indício do que lhe poderá estar reservado num futuro não muito longínquo.
Não será demais clamar contra as políticas que afrontam a família como célula natural da sociedade, que não privilegiam a vida em detrimento da morte e que não cuidam de garantir trabalho digno que encoraje os jovens a perpetuar a sua geração.
Nunca será excessivo estar alerta para as pequenas conquistas de quantos não visam mais do que a destruição da sociedade livre que os acolhe e os respeita e que no fundo desejam perverter. É tempo de estar vígil e não esmorecer.




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