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Experiências de quase-morte (2)

Raymond Moody conta, num seu livro, que um seu paciente, que era pastor, tinha passado por uma experiência de quase-morte. Nas suas homilias, ele costumava abordar sempre os temas do fogo e do enxofre como castigo do pecado. No relato que ele fez da sua experiência de quase-morte disse que “enquanto se processava a revisão da sua vida, deu por si a experimentar, na pele de um rapazinho de nove anos, que batia os dentes de medo sentado no seu lugar, um dos seus vitriólicos sermões”. Ele não conhecia esse rapazinho, apenas o teria visto uma ou outra vez, mas agora sentia o impacto brutal do medo que ele sentiu, bem como “o efeito nada espiritual que o seu sermão exercia em toda a comunidade”.

M. Ribeiro Fernandes
2 Jun 2013

Nessa altura, o ser espiritual que estava a observar a sua revisão de vida comentou: “tenho a impressão que nunca mais fará uma coisa dessas”. E o pastor comentava, depois: “Senti-me muito surpreendido ao verificar que Deus não se mostrava interessado na minha teologia”.
Também por cá, há uns anos atrás (presumo eu que já não seja assim), os sermões e homilias eram quase sempre marcados pelo tom ameaçador e dramático dos castigos divinos. Era o tempo em que, para convencer as pessoas, usavam o critério do medo e a estratégia do poder religioso. Assustavam os ouvintes com castigos para que não fugissem das normas impostas. Hoje, felizmente, parece haver uma clara viragem de critério, do medo para o apelo do amor. É que ninguém se converte por medo; só por amor e por paixão. O medo gera escravidão; o amor gera liberdade e dedicação de filhos. Deus não quer escravos, mas filhos. O medo é imposto de fora, enquanto o amor nasce de dentro do coração. Dizia alguém, com muita graça metafórica, que o coração é blindado por fora: as suas entradas e saídas são de dentro para fora e não de fora para dentro. As suas paredes só são permeáveis ao amor.
Raymond Moody refere que o elemento mais incrível nos relatos de quase-morte e que tem um efeito mais profundo no sujeito que passa por essa experiência é o encontro com uma luz muito brilhante. É descrita como uma luz que vem suavemente ao encontro do sujeito que está em situa-ção de quase-morte (morte clínica), mas que não agride os olhos (os videntes de Fátima descreveram a aparição de uma Senhora brilhante como o sol, mas que era suave para a sua vista). Nos relatos, todos dizem que perceberam essa luz como um ser com uma personalidade muito definida: “o amor e o carinho que emanavam desse ser para a pessoa que está a morrer está para além de qualquer palavra e o paciente sente-se completamente envolvido, livre e aceite por esse ser. A pessoa sente uma atracção magnética por essa luz, sendo irresistivelmente atraído por ela”.
Da análise dos relatos, Moody deduziu que a percepção que os sujeitos manifestaram dessa luz era, em grande parte, influenciada pela formação religiosa de cada um. Assim, a maioria dos cristãos identifica a luz com Cristo; já uma mulher e um homem judeus identificaram a luz como sendo um anjo. No entanto, o que todos viram foi apenas um ser de luz. Acrescentam que, logo depois da aparição, o ser de luz começa a comunicar com a pessoa que está em transição. Essa comunicação funciona como a de um corpo espiritual que pode apreender os pensamentos dos que estão à sua volta. Nenhum sujeito relatou que ouviu qualquer voz ou som físico vindos do ser de luz nem que lhe responderam por meio de sons audíveis. Apesar disso, “a transferência directa e livre de pensamentos ocorre de forma tão clara que não há possibilidade de não compreender ou de mentir à luz”. Essa transmissão de pensamentos não se faz na respectiva língua materna da pessoa; mesmo assim, é possível compreender perfeitamente o seu teor e tomar consciência dela de imediato.
Mais tarde, já depois de reanimada, a pessoa não consegue traduzir em linguagem humana os pensamentos e as trocas de ideias de quando esteve perto do ser de luz; mas, concordam todos que eles giravam á volta de duas questões:
– Estás preparado para morrer?
– O que é que fizeste com a tua vida que me possas mostrar?
Porém, ao contrário do que seria de esperar, todos estão de acordo que, por mais incisivas que essas perguntas possam emocionalmente ser para o sujeito, elas não são feitas num tom reprovador, mas para a pessoa pensar sobre a vida passada.




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