Fotografia:
Democracia e Soberania são ilusão ótica

Quando ao colo da minha mãe, com quatro anos e um dia, na linda cidade de Chaves, replicava as palavras do povo – “o povo unido jamais será vencido” –, com a natural insuficiência linguística face à idade e dificuldade na pronúncia das palavras, não imaginava que tal frase teria tanto impacto na sociedade portuguesa nestes últimos 39 anos de uma democracia vazia de ideais, açambarcando as metas de uns em detrimento da inoperância de outros, e a regulação da sociedade a cair nas mãos do poder económico e financeiro que gere a sociedade como se de um contrato comercial de tratasse.

José Manuel Pereira
2 Jun 2013

As ideias deveriam ser debatidas e postas em confronto saudável com oposição de outros projetos, demagógicos ou não, mas porventura alheados do fundamento de saudável destino e resolução dos problemas fulcrais da sociedade portuguesa, levam-nos a  encará-las com o espírito de as não criticar, sob pena de represálias mais ou menos evidentes e com os contornos naturais nos rendimentos da nossa atividade económica pessoal ou empresarial.
A indecisão de alguns responsáveis políticos em aprovar, chumbar ou apresentar-se com a abstenção em atos de gestão autárquica, sob pena de serem penalizados em eleições próximas, demonstra que não se apresentam como verdadeiros candidatos em prol de uma sociedade isenta e objetiva, tendo responsabilidade pessoal e institucional no aproveitamento dos recursos financeiros oriundos dos impostos e das contribuições de entidades privadas e cidadãos, contribuindo para o bem-estar social das crianças, dos idosos e do público em geral, sempre ao “melhor custo e melhor qualidade”, ultrapassando os habituais negócios no favorecimento de familiares, “atirando areia aos olhos” de quem é sacrificado todos os dias e tenta cumprir com as habituais 8 horas de trabalho em troca de um salário mínimo equivalente ao praticado na década de setenta. 
Negócios realizados entre atividades de construção civil, imobiliárias e instituições bancárias que detêm as hipotecas dos imóveis que financiam a aquisição, proporcionam o direito, através dos naturais e óbvios avais pessoais dos seus sócios, que no atual momento se mostram impotentes para salvaguardar as suas situações em termos de responsabilidades no banco de Portugal, estando limitados no acesso a outros meios de financiamento.
Um estado dito soberano, que não tem as estruturas democráticas construídas ao longo dos últimos anos em prol de uma sociedade equitativa nos impostos, na responsabilidade social, no desporto, na cultura e no acesso à informação pública, tornou-se um estado soberano ilusório e manifestamente incapaz de agir conscientemente e com a habitual pressão alheia que deturpará toda a verdade e toda uma justiça em que fomos habituados a não acreditar.
Esse estado dito soberano não se opôs aos excessivos gastos praticados em obras megalómanas, financiamentos partidários, faturação fictícia, contratos sobejamente conhecidos de PPP´s e aquisições de bens e serviços por empresas públicas e autarquias locais, proporcionaram um cabaz de dívida soberana e um défice nas contas públicas incapazes de serem resolvidas nos próximos 38 anos.
Sim, o mesmo número de anos entre o dia em que eu me encontrava ao colo da minha mãe e o ano de 2103!




Notícias relacionadas


Scroll Up