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Como nasceu a Solenidade do Corpo de Cristo?

Um milagre ocorrido há quase oito séculos fez o Papa Urbano IV estender a toda a Igreja o culto público à Sagrada Eucaristia. No ano de1263 um sacerdote chamado Pedro estava a ser assaltado por uma terrível tentação a respeito da presença real de Cristo na Eucaristia. Para fortalecer a sua fé vacilante, resolveu fazer uma peregrinação a Roma. Chegando às portas de Bolsena, Itália, decidiu entrar na cidade para celebrar a Santa Missa. Rogou insistentemente a Deus que o livrasse da dúvida atroz que há tempos o atormentava. Assim, começou a celebração.

Maria Fernanda Barroca
1 Jun 2013

No momento da Consagração, ao pronunciar as palavras rituais – “Isto é o Meu Corpo…” – a Hóstia consagrada tomou uma coloração avermelhada e começou a deitar gotas de sangue, que caíram com abundância sobre o corporal. Os fiéis presentes também puderam ver o maravilhoso acontecimento.

O sacerdote apressou-se a comunicar o facto ao Papa Urbano IV que residia temporariamente na vizinha cidade de Orvieto. Este logo enviou a Bolsena uma comitiva chefiada pelo arcebispo, para examinar a verdade do facto e, se fosse confirmado, trazer as preciosas relíquias para lhas entregar. São Tomás de Aquino e São Boaventura também teriam feito parte dessa comitiva (mas sem confirmação).

Comprovada a autenticidade do facto prodigioso, a Hóstia consagrada e o corporal impregnado do Precioso Sangue foram conduzidos em solene procissão até Orvieto, onde o Papa os recebeu de joelhos em atitude de adoração.

A seguir seguiram para a Catedral onde milhares de fiéis emocionados puderam prestar culto às preciosas relíquias.

Urbano IV ficou vivamente impressionado com o facto, ele que já tinha conhecimento do famoso milagre de Lanciano e, além disso fora confidente de Santa Juliana de Mont Cornillon, uma mística que recebera dos Céus a incumbência de transmitir à Igreja o desejo divino de ser estabelecida no calendário litúrgico uma festa em honra da Eucaristia.

Assim em 11 de Agosto de 1264 assinou em Orvieto a bula Transiturus de Hoc Mundo, pela qual instituiu a Festa de Corpus Christi. Com isso estendeu a toda a Igreja o culto público à Sagrada Eucaristia, que até então era realizado só em algumas dioceses por influência de Santa Juliana.

Cinquenta anos mais tarde outro Papa, Clemente V, estabeleceu a Festa da Eucaristia como dia santo e o Concílio de Trento, em meados do século XVI, tornou oficial a realização da Procissão Eucarística, como acção de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública de fé na presença real de Cristo na Hóstia Consagrada.

Estava assim definitivamente instaurada em toda a Igreja a Festa em que o Povo de Deus se reúne em volta do tesouro mais precioso que Cristo nos deixou – o Sacramento da sua própria Presença, e o louva, canta e leva em procissão pelas ruas das cidades e vilas. É, por assim dizer, uma Festa «social», enquanto que na Quinta-feira Santa, dia da Instituição da Eucaristia, a festa é intimista: tudo se passa no silêncio e recolhimento das igrejas.

A Festa actualmente era celebrada na Quinta-feira depois da Solenidade da Santíssima Trindade. Nos países em que nesse dia não é feriado, a celebração passa para o Domingo seguinte. É o que se vai passar este ano no nosso país, em nome do «aumento da produtividade!» Assim, em vez de ter sido no dia 30 de Maio, será amanhã 2 de Junho.




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