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É estável a “felicidade feminina”?…

Recordamos que a partir do Renascimento a nossa civilização ocidental passou a ser regida por valores masculinos: fria objetividade, razão, poder, eficiência, rivalidade… O que é natural, uma vez que o homem, regra geral, se interessa mais pelas coisas e é fascinado pelo poder… Ao contrário, a mulher titular de uma mais fina sensibilidade, interessa-se sobretudo, pela pessoa, pelo respeito do fraco, das minorias, das necessidades materiais e afetivas e pela poesia…

Maria Helena H. Marques
31 Mai 2013

Por tudo isso, há mais de um século que a mulher vem lutando para ocupar o seu lugar na civilização. Tem provado de forma incontestada a sua capacidade, mas teve de se amoldar com sofrimento, a esta sociedade masculina.
Atingido este patamar, não poderia ela salvar a civilização do seu mal-estar, contribuindo com o que lhe falta, o sentido da pessoa?!
As necessidades prementes do tempo atual, convidam mais uma vez, as mulheres a refletir sobre a sua missão de re-humanizar o mundo, considerando a prioridade das pessoas sobre as coisas, ensinando ao homem este lado pessoal e aprendendo com ele a desenvolver a razão.
Não percamos de vista que a missão da mulher celebra a intuição feminina, em vez de menosprezá–la. Enfatiza, com clarividência, a complementaridade entre homem e mulher, conforme o projeto, o desejo e a beleza do Criador.
É por demais evidente que nas últimas décadas, o progresso das mulheres no Ocidente foi enorme. Apesar de nem tudo ser perfeito, foram ganhas batalhas importantes pela igualdade de oportunidades na educação, na incorporação no mundo laboral e muitas outras liberdades. Mas esta reviravolta não está isenta de contradições…
Estudos recentes revelam que os ganhos obtidos não fizeram com que as mulheres se sintam mais felizes. Salientam uma série de dados para demonstrar o desconcertante paradoxo: a felicidade das mulheres desceu nos últimos 40 anos, precisamente num período em que melhoraram a sua educação, os seus ingressos, a sua situação profissional e social. Estas melhorias são dados objetivos, mas a satisfação que procuram entra no âmbito da subjetividade e depende também das expetativas que iam associadas a essas metas.
Por isso se considera que esses estudos admitem várias leituras… Dos analistas destacamos a socióloga Lisa McMinn que considera que a diminuição da felicidade das mulheres se deve ao “signo individualista” que desencadeou a criação do movimento feminista contemporâneo.
Baseando-se nesta evidência, McMinn propõe um modelo de realização pessoal centrado na ajuda aos demais…
O individualismo só redime quando se admite que o desejo de rea-lização pessoal vai unido à ideia de fazer algo bom pelos outros. De tal modo que, ao ocupar-nos de nós para nos formarmos vamos perseguindo os nossos objetivos, não para sermos felizes, mas antes porque pertencemos a um mundo que necessita do melhor de nós próprios. E ao contribuirmos para o bem dos demais, encontramos então a nossa felicidade, a nossa realização integral.
Diz o Papa, Beato João Paulo II: “A vocação da mulher não é uma vocação para a dependência mas para a alteridade, a complementaridade, na igualdade da natureza. A pessoa-homem e a pessoa-mulher não podem realizar-se senão por um dom desinteressado de si porque, ser pessoa, significa tender à própria realização”, isto é: ser fiel até ao fim aos compromissos assumidos, construindo, em primeiro lugar a felicidade dos familiares e amigos e, em consequência, a sua felicidade verdadeira!
Uma sadia exaltação do papel da mulher leva a reconhecer que ela é chamada a levar à família, à sociedade civil, à Igreja, algo de caraterístico que lhe é próprio e que só ela pode dar: a sua delicada ternura, generosidade incansável, o seu amor ao concreto, agudeza de engenho, capacidade de intuição, piedade profunda e simples, a sua tenacidade e fidelidade.
Na segunda década do século XXI impõe-se o reconhecimento do valor e formosura desse património insubstituível, ajudando a mulher a ser verdadeiramente feliz ocupando o lugar que por direito e dever lhe pertence: Mulher, Esposa e Mãe!




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