Fotografia:
Desabafos

Pessoa amiga deu-me a conhecer um desabafo escrito há dias, dessa grande senhora Dr.ª Helena Sacadura Cabral, mãe de Paulo Portas, desabafo que irei encurtar, refletindo o essencial do tema escrito. Afirma ou declara a escritora: “Ontem tive o azar de apanhar o PM do país onde nasci, a explicar das suas razões para uma mais que certa retroatividade de cortes aos pensionistas “que estão a receber”. Fui educada numa família de gente séria que trabalhava para sustentar os seus e que considerava ser essa a obrigação de todos aqueles que tinham decidido constitui-la.

Artur Soares
31 Mai 2013

Trabalho para viver do modo que sempre vivi, pois a reforma que recebo e o que o Estado me tira – estou a ser educada – não me permitiriam viver apenas dela. E tenho a sorte de ainda haver quem prefira comprar um livro meu a uma camisola básica. Essa é que é essa”.
“O Dr. Gaspar e a reforma do Estado podem levar-me a pensão, podem levar-me o pouco que tenho no banco para uma doença, mas não hão de conseguir nem levar-me a voz, nem levar-me a alegria de estar viva. Porque eu não quero e porque eu não deixo!”.
Não devo dar conselhos à doutora Helena Sacadura Cabral e limitar-me-ei, como ela, a desabafar. E rebuscando no meu arquivo desorganizado umas “opiniões que valem”, gostaria de, mais uma vez, afirmar que vivemos numa nova ditadura e que quem nos governa e nos tem governado não passam de hienas enlouquecidas que nem as leis do país respeitam.
Na Lei nº 52/2003, no seu artigo 2º, pode ler-se:
1 – Considera-se grupo, organização ou associação terrorista todo o agrupamento de duas ou mais pessoas que, actuando concertadamente, visem prejudicar a integridade e a independência nacionais, impedir, alterar ou subverter o funcionamento das instituições do Estado previstas na Constituição, forçar a autoridade pública a praticar um acto, a abster-se de o praticar ou a tolerar que se pratique, ou ainda intimidar certas pessoas, grupos de pessoas ou a população em geral.
Parece, segundo esta Lei portuguesa, que esta gente que nos governou antes destes e agora estes, pratica ou está próximo da prática de terrorismo. Se não for mais nenhum, existe terrorismo psicológico e roubo.
Desabafando e segundo o que rebusquei, a doutora Helena Sacadura Cabral bem sabe que escrever é matar o mal do mundo; é defender o que habita dentro de nós; é mostrar a verdade que somos e de como pensamos. Escrever é sobretudo desmascarar, ser inconveniente, desde que conveniente a todo o homem.
A Constituição da República Portuguesa é um conjunto de Leis com direitos e deveres, elaborada com ideias e com letras de ouro. Só que Sócrates, Passos Coelho e a sua organização – porque antes eram um governo eleito – bem como troikanos, vêem-na com letras de lata.
Escreveu António Aleixo: “Esta mascarada enorme/Com que o mundo nos aldrava/Dura enquanto o povo dorme/Quando ele acordar acaba”.
Creio que não existem pessoas más. Muitos ou são enfermos ou desconhecem a lei, sobretudo as Leis de Deus. Sendo enfermos, precisam de cura, sendo desconhecedores precisam das salas d’aula. Assim, pelo que fazem e pelo que não fazem, podemos desabafar que o PM de Portugal é o nosso pastor: tem obrigado o seu povo a pastar.
A vida portuguesa é extremamente dura, difícil de tange-la. Mas desabafo que nenhum cidadão deve roubar, uma vez que estes dois últimos governos detestam e condenam a concorrência. Desse modo, optando-se por não roubar, ou por não se saber roubar ou até não se ter jeito para roubar, deve-se ostracizar o roubo e deixá-lo para esses profissionais que dizem servir o país.
Vive-se em nova ditadura? Creio que sim. Vive-se com medo do dia seguinte? Sim, não há dúvidas. Repare-se que, há meia dúzia de anos atrás os portugueses faziam projetos, sonhavam e sentiam alegria. Atualmente nem dormem.
Ninguém tem o direito de pasmar, de ser agressivo ou até de se matar como alguns já o fizeram. Na verdade a vida não é esperar que a tempestade passe, mas é aprender dentro das possibilidades de cada um, dançar debaixo da chuva.
Helena Sacadura Cabral é peremptória: “podem levar-me o pouco que tenho (…) mas não me levarão a voz, porque não quero, não deixo”.
Grande senhora: dinheiro roubado, nada perdido; saúde mal curada, muito perdido; mas carácter perdido, TUDO PERDIDO! E carácter é o que esta gente não tem. Logo, tudo perdido!
Helena Sacadura Cabral, digníssima senhora, desabafou por escrito. Eu também.




Notícias relacionadas


Scroll Up