Fotografia:
Críticas estéreis

Por esta altura as discussões abraçam sempre a temática das competências dos treinadores. É óbvio que as paixões e os corações dos adeptos estão mais perto da boca do que a razão (análises frias, fundamentadas e consistentes). A mim não me preocupa que o comum dos adeptos faça críticas, muitas vezes, envoltas em pequenos episódios que os marcam e que sejam proferidas algumas expressões ou observações absurdas, porque a emoção nem os deixa refletir. Mas, de facto, preocupa-me que alguns elementos que fazem parte da estrutura dos clubes, que por isso têm responsabilidade acrescida, comentem, critiquem e manifestem publicamente opinião sobre a competência dos treinadores.

Carlos Dias
31 Mai 2013

Não percebo, não concebo e repudio que alguns comentadores televisivos venham à praça pública manifestar “opiniões” sobre a capacidade dos treinadores que representam os seus clubes ou outros, sem perceber o suficiente da matéria. Tenho dificuldade em aceitar que os treinadores sejam o “mal” e às vezes o “bem” de todo o processo desportivo, e tenho mais dificuldade em aceitar que sejam os próprios elementos da estrutura do clube os principais detratores.
Toda a gente fala da importância da liderança de um treinador, contudo, e por analogia, estas situações aproximam-se de outras situações do quotidiano, quando, por exemplo, num casal, o pai diz que “sim” ao filho e a mãe manifesta decisão contrária, quem fica a perder é a “liderança” partilhada do casal e a educação do próprio filho.
Há uns tempos atrás, quando, num início de uma época, os atletas se manifestaram algo descontentes com os métodos de um novo treinador, o presidente desse clube juntou todos os jogadores da equipa e perguntou: “Muito bem, soube que não estão muito satisfeitos com a dureza dos métodos do treinador, vamos lá então saber quem é que quer rescindir o contrato?”, em vez de dar ênfase ou razão ao descontentamento, tal como muitos dos “insatisfeitos” estariam à espera. Escusado será dizer que essa equipa ganhou o campeonato e os quatro seguintes, com o mesmo treinador.
A liderança de um treinador só é verdadeiramente eficaz se existir por parte de TODA a equipa diretiva um sentimento comum e uma só linha de pensamento, e principalmente de ação. Um treinador (e toda a sua estrutura técnica) é uma peça importante, crucial e fundamental no sistema desportivo, mas é e será sempre extremamente frágil se não for estruturada uma linha de ação conjunta.
No futebol, em particular, existem muitas pressões de alguns empresários (interessados em despachar a sua bolsa de jogadores/treinadores), ou de outros predadores que gravitam no sistema, que a qualquer custo minam o campo de ação dos treinadores no ativo. Os grandes problemas, muitas das vezes, não estão nos treinadores ou nas suas equipas técnicas, nem na qualidade do plantel, mas na coerência e robustez dos trabalhos das equipas diretivas.
Enquanto não se assumir que um clube, a equipa e uma massa associativa se fazem da mesma “massa”, a liderança do treinador é um grão de menor força e importância em todo o sistema. Os grandes feitos são criados pelos bons líderes, executados por gente empreendedora, desfrutados pelos felizes e, tantas vezes, serão criticados por invejosos e inúteis.
carlos.dias03@gmail.com




Notícias relacionadas


Scroll Up