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Superação, a quanto obrigas

A época que agora termina foi para mim e para muitos que acompanham o fenómeno futebolistico deveras estranha. Houve clubes, cuja época pode ser considerada de sucesso, que prescindiram dos técnicos e houve técnicos com uma época de sucesso, que abdicaram de continuar nos clubes. Uns e outros fazem com que a célebre frase em equipa que ganha, não se mexe, soe ao matraquear de letras numa máquina de escrever, em época de computadores.

Carlos Mangas
30 Mai 2013

Jupp Heynckens, vencedor da Bundesliga, Champions e provável vencedor da taça da Alemanha, é substituído por Guardiola; Benitez, que vence a Liga Europa pelo Chelsea, é substituído por José Mourinho; Vítor Pereira, bi-campeão nacional, pelo FCP, também parece que não continua, mas tudo está a ser feito para que aparentemente, pareça que é ele que não quer continuar.
Mas, não são só os clubes que prescindem de treinadores com sucesso. Também acontece o inverso, treinadores que querem abandonar clubes onde tiveram sucesso: Ancelotti leva o PSG ao título francês e não quer continuar; Ferguson vence a Premier League pelo MU e decide reformar-se; Vítor Oliveira sobe pela primeira vez na história, o Arouca à I Liga e decide sair. O que leva estes clubes e estes treinadores a esta aparente quebra da norma? O que é o sucesso para um clube e para um treinador? 
Num mundo em constante evolução, quem fica parado, anda para trás, esta é a frase chave para a velocidade a que tudo se transforma hoje em dia. Aqueles clubes e/ou treinadores que repitam amanhã, o que lhes proporcionou sucesso hoje, ou ontem, estão fatalmente condenados ao insucesso. Sabem-no os treinadores no seu dia a dia de preparação de treinos e jogos, e sabem-no os clubes na busca incessante da novidade que atraia investimentos, publicidade e mais-valias.
A chamada zona de conforto, para técnicos e clubes, é o princípio do insucesso. Sem querer bater mais no ceguinho, entendo que o insucesso que veio a revelar-se a época agora finda para o SLB começou nessa possível zona de conforto demonstrada nos festejos (antecipados) na Madeira e continuou com a falta de competência emocional de Carlos Martins na expulsão frente ao Estoril. Sem essas quebras no foco competitivo, o SLB ao invés de estar agora a chorar três (possíveis) títulos perdidos, provavelmente tinha vencido a Liga, ia mais moralizado e folgado para a final da Liga Europa e não tinha no Jamor a carga emocional que levou ao descalabro total no decurso do jogo e fundamentalmente no final deste, com jogadores, técnicos e adeptos a tomarem atitudes impensáveis uns para com os outros e de falta de respeito para com o vencedor.
Acho que a palavra certa e que deve matraquear a cabeça de jogadores, técnicos e dirigentes para o seu dia a dia, é superação, superação, superação e quem não estiver preparado para lidar com esta palavra e tudo aquilo que ela implica, está fatalmente condenado ao insucesso.
Ps. O que penso sobre o anunciado novo treinador dos Gverreiros? Remeto-os para um artigo que escrevi neste jornal há sensivelmente um ano (fevereiro de 2012) com o título “A relatividade (dos números e das verdades) no futebol”. Disse eu: É por tudo isto, que após uma leitura racional de números e uma análise ponderada de afirmações de ex-técnicos na história recente de SCB, penso não cometer nenhuma heresia se disser que, nos aspetos organizacionais, tático-técnicos e linguísticos, o treinador com maior cota de responsabilidade na rota de sucesso em que se encontra o Sporting de Braga foi o Professor Jesualdo Ferreira.




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