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O regresso ao futuro

Depois de um final de época francamente desastrado, o SC de Braga inicia agora a preparação da nova temporada e, mau grado a contenção de despesas e o emagrecimento orçamental, os primeiros sinais são muito positivos. Em primeiro lugar gostava de salientar, mais uma vez, a política de contratações: os nomes já assegurados são de jogadores promissores, sem nome formado na “alta-roda” mas é precisamente esse tipo de atleta que tem levado o nosso clube aos patamares mais elevados do futebol português e europeu. Acima de tudo, deseja-se que esses reforços tragam de volta o espírito guerreiro que ultimamente tem faltado.

Manuel Cardoso
30 Mai 2013

O segundo sinal muito positivo vem da convocatória para a seleção. Mais uma vez, três médios do SC de Braga convocados vêm confirmar, se mais confirmações fossem necessárias, a qualidade do nosso plantel nessa zona do terreno. Custódio, Rúben Micael e Rúben Amorim são, incontestavelmente, três dos melhores médios do futebol português. E há a referir ainda que, na época agora terminada, contamos com um outro nome que não fica nada atrás destes: Hugo Viana. Portanto, com um meio campo destes (que é a zona nevrálgica de uma equipa) custa mesmo entender como foi possível falharmos alguns dos maiores objetivos da época. E as lesões dos defesas não podem explicar tudo, mas adiante, porque o passado já não conta para nada.
O terceiro indicador positivo tem a ver com um dado que ainda não está assegurado, no momento em que escrevo: a contratação de Jesualdo Ferreira. Tal como aconteceu com Domingos Paciência e com Leonardo Jardim, também com Jesualdo, a meu ver, a sua missão ficou por terminar na sua passagem anterior pela nossa cidade.
Jesualdo Ferreira chegou ao SC de Braga na temporada de 2002/2003, para substituir Fernando Castro Santos.
A época correu mal e o nosso clube ficou num modestíssimo 14.º lugar, dois pontos acima da linha de descida. Eram os primeiros anos da gestão de António Salvador e o clube ainda se debatia com graves problemas estruturais. O plantel que Jesualdo Ferreira encontrou em Braga estava recheado de jogadores sem qualidade para um desempenho positivo: nomes como Telmo ou Taílson não deixaram saudades em Braga. Nessa altura era a “velha guarda” que sustentava o nosso clube, com nomes históricos como Barroso, Zé Nuno ou Castanheira. Mas tudo mudou a partir de 2003/2004. Nessa época classificamo-nos em quinto lugar; nas duas épocas seguintes obtivemos outros tantos quartos lugares (2004/2005 e 2005/2006). Penso que foi nesse momento que se deu o passo decisivo rumo ao SC de Braga europeu, candidato constante ao pódio da Liga.
Aquilo que treinadores como Jorge Jesus, Domingos, Leonardo Jardim e José Peseiro vieram encontrar em Braga já estava muito longe da “lojinha dos trezentos” que Jesualdo herdara de Castro Santos.
A solidez financeira, a estabilidade diretiva, o estatuto conquistado no panorama nacional e europeu, fazem com que este SC de Braga seja agora o palco ideal para que Jesualdo Ferreira, com os seus reconhecidos métodos de organização do trabalho e solidez na construção da equipa, possam fazer retornar à nossa equipa o espírito guerreiro entretanto perdido.




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