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O “bullying” publicitário das marcas

Amesma União Europeia que se diz “intransigente defensora dos direitos das crianças” acaba de dar um tiro no próprio pé – demonstrando a sua inquestionável hipocrisia nesta matéria. O Conselho Económico e Social Europeu elaborou, recentemente, um relatório-parecer no qual defende a imperiosa e urgente necessidade de erradicar a publicidade inserta nos intervalos de programas televisivos infantis – no intuito de travar, entre outros efeitos nocivos para as crianças, o aumento exponencial do “bullying de marca”. Esse relatório-parecer foi remetido à Comissão Europeia. E que decidiu a Comissão? Reprovou-o liminarmente!!!

Victor Blanco de Vasconcellos
30 Mai 2013

Segundo o Prof. Jorge Pegado Liz, representante daquele Conselho Europeu, esse chumbo ocorreu “por força da pressão do lóbi das empresas de publicidade”…
O objetivo do documento era o de propor regras comuns na União Europeia – como a de proibir, por exemplo, o uso das crianças em anúncios para adultos e impedir a publicidade durante a transmissão de programas infantis. Mas este nobre objetivo não colheu na Comissão Europeia!
Sérios e credíveis estudos recentes demonstram que 30 a 40 por cento dos orçamentos domésticos são fortemente influenciados pelas escolhas das crianças e dos adolescentes. E qualquer cidadão atento aos comportamentos dos mais novos sabe que o bullying das marcas (sobretudo no vestuário, calçado, alimentação “imprópria” e novas tecnologias) atinge proporções terríveis, aliás bem visível nas nossas escolas…
Todavia, apesar desta realidade evidente, a Comissão Europeia achou por bem colocar um “ponto final” no debate sobre o assunto – a bem dos astronómicos lucros das empresas de publicidade que usam as crianças como “expediente” para esse efeito, e das marcas que lhes dão subsistência!
É claro que, em Portugal, esta situação (também hipocritamente…) não tem merecido atitude política e legislativa diferente da que está a ser seguida pela União Europeia. Na realidade, os nossos governantes têm afinado pelo mesmo diapasão do “deixa andar”. Veja-se, por exemplo, o que se passa com a limitação de anúncios a produtos alimentares e bebidas para menores: um projeto de lei aprovado na generalidade, no Parlamento, há mais de um ano, baixou à Comissão de Ética em março de 2012, para regulamentação – e ainda lá continua, talvez perdido numa das suas gavetas sem fundo…
Ora, se nem Portugal nem a Europa parecem zelar, agora, pela proteção das crianças, nomeadamente no que respeita ao bullying publicitário, que poderemos esperar delas quando foram adultas?




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