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A lei implacável do tempo (II)

Hoje, as pessoas andam numa correria frenética de um lado para o outro sem guardar tempo para meditar um pouco e saborear as coisas doces da vida. Por vezes, até perdem a noção do enorme valor de um simples segundo da nossa existência – que é um bem precioso que não mais é recuperado. Estamos numa época do “corre e chega depressa”. Velocidade e mais velocidade tem sido o estribilho há umas dezenas de anos a esta parte, mesmo com a crise que implica um movimento crescente do desemprego muito preocupante para todos nós. Para muitos, só interessa a quantidade, mesmo com prejuízo da qualidade.

Artur Gonçalves Fernandes
30 Mai 2013

O ter sobrepõe-se ao ser. Tudo isto apesar de a História nos mostrar que os homens mais ilustres são produto de um trabalho árduo, moroso, persistente e meticuloso. Devemos ter o discernimento para tomar as opções ajustadas a cada momento, dado que não podemos abarcar todas as solicitações que nos surgem diariamente. John Lubbock escreveu: “Devemos empregar o tempo o melhor possível e mais prudentemente que soubermos; até os mais afortunados têm de deixar muitas coisas por fazer, muitos livros por ler, muitos espectáculos maravilhosos por ver, muitos países por visitar.” Se a vida nos ensina uma grande variedade de coisas, também nos ensina a viver o presente com dignidade. Segundo estudos de especialistas americanos, só uma em cada mil pessoas sabe como viver realmente no presente. Este é um dos pontos fundamentais a ter em conta para um viver adequado e dinâmico. Infelizmente, muitas pessoas passam tanto tempo a viver no passado, lamentando alegrias perdidas ou penitenciando-se por coisas mal feitas; ou então num futuro que desejam ou temem. Os nossos dias estão todos contados, ou seja, o nosso coração só irá bater umas quantas vezes mais, devendo, por isso, cada um de nós empregar o tempo com a devida sensatez, convicção e prudência. A maneira como as pessoas utilizam o tempo determina a sua”verdadeira riqueza”. Imitemos e juntemo-nos àqueles que empregam o tempo e não se limitam a gastá-lo sem objetivos positivamente definidos. Desperdiçar o nosso próprio tempo já é bastante mau, mas contribuir para que os outros o desperdicem também, é deveras imperdoável.
O tempo é a única prova segura de tudo. Não só é o crítico mais severo; mas sobretudo é o crítico reto e preciso. Nós não podemos julgar do valor disto ou daquilo num momento instantâneo, porque só o tempo o pode fazer. O tempo dar-lhe-á o valor que merece. O ano em que uma pessoa nasce está marcado no calendário, mas este não nos diz quantos anos essa pessoa viverá real-
mente. Vivemos em termos de desejo e paixão, alegria e tristeza, imaginação e razão. Devemos fazer o possível para deixar o mundo um pouco melhor por termos vivido nele. Com o passar do tempo, nós vamos perdendo a força dos músculos e a frescura física. É ele que vai roubando a beleza juvenil do rosto das pessoas, por mais que elas o queiram iludir com uma sucessão enganosa da sua recuperação, utilizando, para isso, séries falaciosas de operações plásticas de estética fina. O tempo não é plastificável nem recua um segundo que seja. O tempo vai-nos desgastando a saúde do corpo que, inexoravelmente, vai envelhecendo, acabando por nos tirar tudo o que temos de corporal, quando chegarmos ao termo da nossa existência, quer de um modo normal, quer por processos de aceleração imposta por nós ou por outras causas externas que surgem sem as termos desejado. Quantos seres humanos gostariam que o tempo voltasse para trás, para poderem recuperar tudo o que perderam sem glória e sem proveito, como o relembra o cantador Mourão. No entanto, “de arrependidos está o inferno cheio”.




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