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Caminhos ínvios

A semana que passou ficou marcada por um Conselho de Estado convocado para discutir o “período Pós-Troika”. Segundo consta, na reunião de quase oito horas a discussão foi acesa de tal modo que Cavaco, vencido, se viu obrigado a retirar o consenso do híbrido comunicado final. A actual política do Governo, a “austeridade custe o que custar”, terá merecido duras críticas dos conselheiros, bem como a presumível desagregação do executivo. A coligação afigura-se muito instável, particularmente depois de Portas se ter declarado “politicamente incompatível” com a mais que polémica taxa de sustentabilidade sobre as reformas.

Maria Helena Magalhães
29 Mai 2013

Ora de eleições antecipadas Cavaco não quer nem ouvir falar e, num assomo de inoportunidade que provavelmente ficará para a história, optou por convocar o CE para de alguma forma validar a sua vontade de levar este Governo até ao fim da legislatura. Todavia, ter-lhe-á saído o tiro pela culatra.
Mas a semana ainda havia de nos trazer mais surpresas, e uma, por ser da terra, particularmente enternecedora: a revisitação das Convertidas!
Ora, depois da reunião camarária em que, “com uma transparência cristalina”, se votou a expropriação com carácter de urgência, cujo valor seria determinado pelo tribunal, dos prédios adjacentes à Casa das Convertidas, na passada 5.ª feira, voltou a fazer-se essa votação! Vi a noticia e fiquei varada. Li com toda a atenção. E fiquei a saber: a anterior deliberação foi anulada porque, e estarei a citar o presidente da Câmara, terá sido “apenas uma demonstração de interesse”. Nesta segunda votação o presidente decidiu não participar por causa “de toda a polémica” que a primeira votação gerou. Mais, o vereador Vítor Sousa, na qualidade de vice-presidente, usou o seu voto de qualidade para desempatar a votação. E mais ainda, entretanto já terá sido feita a avaliação dos imóveis por um perito, pelo que a proposta agora aprovada já define um montante para a expropriação. Resumindo, a Câmara aprovou suportar encargos de cerca de 3 milhões de euros, que supostamente não tem – a verba deverá ser alocada ao “programa estratégico de reabilitação urbana para o centro histórico” (??) – para intervenção num edifício que é propriedade do estado e que, além do mais,  carece de parecer do IGESPAR por ser um imóvel classificado.
O líder da oposição, Ricardo Rio, considerou isto “um negócio incompreensível na actual conjuntura” e terá debitado indignadas considerações sobre a moral e a ética política de quem decidiu. Plenamente de acordo. E vem-nos à memória o negócio da Fábrica Confiança.
E quanto a “toda a polémica” que levou o senhor presidente a, desta vez, não participar na votação, de facto, é de estranhar: os prédios a expropriar já não são da empresa do genro (dele); que os vendeu, no passado dia 30 de Abril, a uma empresa, cujo dono, só por mero acaso, também é um dos credores hipotecários.
Palavras para quê? Já todos percebemos do que a casa gasta.




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