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Por uma «filocracia»

1 Continuamos à procura de soluções. Mas, invariavelmente, acabamos por laborar nos mesmos problemas.A experiência diz que os problemas clamam por soluções. Mas a história também documenta que algumas soluções arrastam novos problemas. 2. As alternativas costumam ser procuradas dentro do poder. Para quando uma autêntica alternativa ao poder? Não faltará quem estigmatize este desejo, taxando-o de quimérico e apodando-o de simplesmente utópico e irrealizável.

João António Pinheiro Teixeira
28 Mai 2013

3. Ressalve-se que a raiz do problema nem sequer está no poder. Está no modo como se usa o poder, como se abusa do poder. Está no poder pelo poder. Está no poder como objectivo único e finalidade última.
A vocação do poder é ser instrumento. Para isso, tem de possuir uma nascente e uma direcção. O que se vê, porém, é o poder a sacrificar todos e a não sacrificar-se por ninguém.
4. Jesus tem uma palavra a dizer também neste campo. Para Ele, o único poder que vale é o poder do amor.
É um facto que o poder nem sempre tem amor. É uma urgência que o amor tenha sempre poder.
5. A mensagem de Jesus continua a ser nova e o Seu mandamento mantém-se novo: «Amai-
-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 14).
Esta, para Jesus, é a maior Lei. Trata-se da Lei que dispensa toda a Lei, porque sintetiza e compendia todas as leis.
6. Resumindo. Não a «craciofilia» (amor do poder), mas a «filocracia» (poder do amor).
Eis a grande mensagem do Evangelho. Eis o legado de Jesus. Eis a proposta que anela por resposta e que bem merece a nossa aposta.
7. É neste sentido que a Igreja, não sendo obviamente uma democracia (como não é uma monarquia, uma ditadura ou uma anarquia), não pode ser menos que uma democracia.
Nela, há-de vigorar sempre a «filocracia», o poder do amor.
8. Tanto se fala de dívida nos dias que passam, nos tempos que correm. S. Paulo também nos fala de uma: da dívida do amor. E o amor não se retribui com mais nada. Apenas com amor.
Sendo uma palavra presente, não consintamos que o amor seja uma realidade ausente. Façamos da própria democracia uma «filocracia». Substituamos o amor do poder pelo poder do amor.
9. O poder, como tudo, vem de Deus. Mas, pela amostra, o exercício do poder parece ter sido capturado pelo Diabo. Este, segundo a Bíblia, reclama-o como seu (cf. Lc 6, 4).
De facto, o poder parece ter muito de diabólico, tal é a opressão que provoca e a injustiça que faz alastrar. Será impossível libertar o poder da captura a que se mantém (prolongadamente) submetido?
10. É pelo poder do amor que as pessoas notarão que nós seguimos Jesus.
O amor do poder tem esganado a vida de muita gente. O poder do amor devolverá a vida a toda a gente!




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