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Certas sobrancerias… à portuguesa

Num destes dias discutia-se, num canal televisivo, uma afirmação de um alto responsável da Nação sobre a coincidência entre a aprovação positiva dos nossos credores externos e a (possível) intervenção de Nossa Senhora de Fátima, quando um dos participantes referiu que, em Portugal, só quem se diz ateu e excluir a fé da vida pública é que tem razão… os outros – isto é, os que possam dizer ou afirmar cristãos, de forma tácita ou explícita – são excluídos da discussão e como que vistos ainda numa certa menoridade, senão intelectual, pelo menos, cultural… pelos tais pretensos referenciais da normalidade, mesmo assim, minoritária. Até certos pavõezinhos da revolução – mentores da ínclita constituição ideologicamente ultrapassada no tempo e na história – afinam as garras para invectivar quem se possa assumir como mais ou menos crente!

A. Sílvio Couto
27 Mai 2013

= De facto, há certos paladinos da liberdade que só a entendem como e quando esta for contra Deus ou, pelo menos, anti-cristã. Notam-se ainda certos laivos de que ser esquerdista – o que não bem o mesmo que pretender ser de ‘esquerda’ social e política – laicista, jacobino ou ateu confesso são como que prerrogativas para vingar neste país de preconceitos e até de um proteccionismo anti-religioso mais primário… Como se a verdade só tenha uma cor, desde que seja de matiz contestatário! Em certas épocas da história estes vingaram, enquanto os outros não se vingaram: daqueles os manuais deixarão notas de rodapé, destes far-se-ão capítulos de eloquência e de heroicidade. O tempo dirá quem tem, afinal, razão!
= Há, por vezes, discussões onde o mais assanhado complexo de erradicar a dimensão espiritual da pessoa humana está entranhado na alma – note-se esta espécie de contra-senso! – dos contendores… Como se nós fossemos capazes de viver sem ideais e estes são, normalmente, de teor espiritual mais ou menos difuso! Que haja pessoas que não aceitem a dimensão espiritual da pessoa humana, isso não lhe dá o direito de reduzir a pó – seja da cremação seja da desmemorização – quem tenham outras crenças, diferentes formas religiosas de vida ou se norteie por ideais de índole espiritual pessoal e comunitária. A fronteira não está no crente/não crente, mas na superficialidade/profundidade sobre si e para com os outros!

= Em certos momentos vemos que há grupos profissionais – militares e forças de segurança, sectores da advocacia e da justiça, do desporto (sobretudo do futebol), até do meio (dito) artístico e mesmo algumas áreas eclesiásticas – que se consideram (quase) intocáveis, mais parecendo uns novos brâmanes da vida social lusa… diante da falange de párias do resto do país, que é o povo, tanto na sua expressão cívica, como na vivência ética.  Com efeito, há regalias que cheiram a feudalismo, seja ele militarista, justicialista, religioso ou mesmo desportista. Na pirâmide dos que mandam nem sempre podem impor-se regras aos que têm obedecem. Por muito que tenham feito pelos outros – estes ou outros intérpretes – devem estar ao serviço e não a servir-se dos lugares… para promoção e em vanglória.
= Sem pretendermos lançar suspeita sobre a legitimidade das vitórias, não deixou de ser esquisito que, estando ainda em disputa os jogos, já tenha havido, no palco do jogo de quem ganhou o campeonato de futebol maior português, as medalhas e todos os adereços de consagração. E se o resultado não tivesse sido a vitória – bastaria ter-se verificado um empate, quanto mais a derrota! – os que estavam as mais de trezentos quilómetros de distância não teriam tido tal consagração, pois os ingredientes já estavam noutra sintonia. Valha-nos a verdade – desportiva, moral e até intelectual – e não faríamos a figura de que já havia campeão antes do jogo jogado. Não está em causa a vitória, mas a sobranceria com que são tratados os que não pensam nem agem como os que estão, normalmente, por cima… nos últimos anos.

= Agora que já se sabe com certeza quem é o próximo patriarca de Lisboa, fica a pairar no ar – etéreo, mas nem sempre diáfano – que poderemos suspeitar sobre uns tantos jogos de poder: notou-
-se a conspiração de certas campanhas; parece que podem ter havido certos golpes palacianos; criaram-se cenários de vencedores e de vencidos… Foi algo a roçar o medievalesco, desde a sacristia até ao altar, passando pelas instâncias de discernimento… Quando vemos certos habilidosos a vingar, sentimos que as sobrancerias não têm credo nem diferença de actuação, seja qual for o campo ou o espaço de intervenção!.. E o resto não é paisagem!




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