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Experiências de Quase-Morte

Há cerca de dois meses, a RTP passou um documentário sobre casos de experiências de quase-morte, com depoimentos de pessoas que teriam estado por algum tempo em morte real, mas recuperaram e, depois, contaram o que sentiram e viram. Por coincidência, nesse mesmo dia, estando com um Grupo de Encontro, dois dos membros do grupo relataram também experiências semelhantes. A primeira vez que tinha tomado contacto com esta realidade foi, há anos, com uma consulente que tinha passado por uma experiência de quase-morte e queria ter a certeza de que não estava a delirar ao lembrar-se do que passou.

M. Ribeiro Fernandes
26 Mai 2013

Tinha sido operada e, a certa altura da cirurgia, algo terá corrido mal e ela sentiu-se desligada do seu corpo, como que flutuando sobre a mesa de operações e vendo o que os médicos estavam a fazer, ouvindo o que diziam e percebendo as suas preocupações. Recordava-se de todos os pormenores, com nitidez de imagem. Ao mesmo tempo, lembrava-se de ter experimentado uma sensação de bem-estar, de uma paz e de uma harmonia indescritíveis e como nunca tinha sentido.
A observação clínica e os testes aplicados mostraram que era uma pessoa normal.

1. Este caso, encheu-me de curiosidade e procurei encontrar bibliografia sobre o assunto. Nessa altura, por cá ainda não se falava disso nem havia qualquer literatura, ao contrário do Brasil, onde já havia muitas traduções, sobretudo de autores americanos. Reparei também que quem ousasse falar disto em público era olhado com desconfiança. E, no entanto, vim a descobrir que essas experiências eram mais comuns do que supunha (Brian L.Weiss cita, num dos seus livros que, de acordo com uma sondagem da Galup, mais de 8 milhões de americanos já tiveram uma Experiência de Quase-Morte, só que ninguém queria falar, com receio de que o tratassem por louco ou fosse criticado religiosamente).
Esta opinião é corroborada pela Dra. Elisabeth Kübler-Ross, investigadoras destes factos: os maiores críticos vinham sobretudo de duas áreas: da Religião e da corrente mais tradicional da Medicina. Da Religião, porque sentiam que era uma invasão numa área que lhes era reservada e porque consideravam que este assunto era objecto de fé e não de ciência; da Medicina mais tradicional, porque consideravam este tipo de estudo “pouco científico” e que ia mexer com os modelos de tratamento de doentes em situação clínica limite; para além disso, havia também um aspecto importante: como validar essas experiências.

2. Brian Weiss resume assim o que a maioria diz que viu e sentiu: “a pessoa perto da morte destaca-se do seu corpo e observa os esforços de salvamento, à sua volta; muitos diziam ter-se apercebido dos pensamentos dos médicos e enfermeiras mesmo antes das palavras serem pronunciadas; quando tentavam tocar no ombro dos médicos ou das enfermeiras, as suas mãos incorporais atravessavam directamente os corpos deles, sem provocar qualquer contacto físico; rapidamente, a pessoa tem consciência de uma luz brilhante ou de um “vulto espiritual” resplandecente, ou então de um parente falecido que avista à distância, sem que essa luz lhes ferisse os olhos e sentiam–se a flutuar por um túnel na direcção da luz ou do vulto e sentiam-se totalmente inundados por uma vaga de amor. Em muitos casos, relatam ter ouvido sons e música. Outra característica bastante comum, é observarem uma retrospectiva da vida, um panorama daquilo que cada um fez, visionando-a instantaneamente e para além do tempo, em cores brilhantes e a três dimensões. Para além disso, o sujeito experimenta as emoções das pessoas que ajudou e daquelas que magoou, das que amou e das que odiou. Não há dor; em vez disso, há um sentimento de imensa paz e de alegria. A maioria das pessoas não queria regressar aos seus corpos, mas havia uma razão para regressarem. Ao fazê-lo, tornam-se novamente conscientes da dor. A maioria declara que têm consciência de que a vida não termina com a morte do corpo físico. E muitas passam a não ter medo da morte”.




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