Fotografia:
Um olhar em redor

Alguém, com autoridade e conhecimento de causa, asseverou um dia ser a crónica dos géneros jornalísticos (ou literários) mais difíceis e complexos, mas ao mesmo tempo mais livres e reveladores da elegância e qualidade de um autor. Assim sendo, caro leitor, a questão é esta: escrever uma crónica mesmo sem grandes adornos linguísticos, ou literários, exige antes de mais conteúdo atraente, um mínimo de qualidade e, quanto a mim, ânimo propício, disposição favorável.

Joaquim Serafim Rodrigues
25 Mai 2013

Uma coisa é discorrer a respeito daquelas matérias mais ou menos específicas, tais como arte, política, desporto ou outras, utilizando-se as consabidas frases-feitas e os costumados lugares comuns, independentemente do nível, ou falta dele, que sempre ressalta, como é evidente, desses trabalhos efectuados por tais especialistas (sem falar na sua isenção e rigor, tantas vezes ausentes…). Muito diferente é deixar transcorrer a prosa por gosto em torno de um dado tema, assim como quem cultiva uma arte.
Verdade, verdade, é que não faltam motivos atraentes, tentadores, susceptíveis de justificarem uma boa apreciação, uma apropriada crítica, extraindo deles as devidas ilações, quer positivas quer negativas. É esta, afinal, e a meu ver, a função de quem escreve, importando no entanto que o faça respeitando sempre os pontos de vista contrários, as convicções dos outros, fazendo uso, por isso, do maior escrúpulo e, bem assim, da maior correcção ao divulgar os seus próprios conceitos. Dito isto por outras palavras: não procurando nunca impô-los a ninguém, pois só assim conquistará o respeito dos seus leitores mesmo que estes pensem de modo diferente.
Prosseguindo: os factos ou os acontecimentos merecedores de registo devem ser comentados serena e desapaixonadamente, com independência, não desvirtuando a prodigiosa força da Imprensa escrita, veículo por excelência no que à formação dos seus leitores importa, influenciando-os, sim, mas unicamente com propósitos construtivos e, se tal for possível, com alguma pedagogia de permeio.
Terminadas estas considerações expostas naturalmente, sem propósitos de evidência pessoal, lembrarei apenas que esta nossa existência terrena não é senão luz, sombra, aurora, crepúsculo, emoção, deslumbramento – um fogacho passageiro, em suma, visto que só o Além conta como realidade quase tangível, infinita e profunda.
Aproveitemos, pois, a transitoriedade da vida sem nos envolvermos em quezílias mesquinhas, despidas de qualquer interesse, as quais, não servindo a ninguém (os triunfos sem grandeza têm duração efémera) amarguram e atormentam ainda mais a existência já de si atribulada ao ser humano nos tempos actuais, onde persistem, incompreensivelmente, os conflitos armados vitimando milhares e milhares de seres inocentes alheios a tais disputas, persistindo, como consequência, a fome, a miséria, a ignorância, a doença e, suprema aberração, a tirania, iniquidades estas sem nome em pleno século XXI!




Notícias relacionadas


Scroll Up