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Solenidade da Santíssima Trindade

A Santíssima Trindade é um dogma. Um dogma que proclama a verdade essencial do mistério da “unidade e trindade de Deus”: um só Deus em Três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. É um mistério. Portanto, é de difícil interpretação e impossível de ser assimilado pelas limitações humanas. Lembramos que “mistério” não quer dizer que algo seja impossível de existir ou de acontecer; “mistério” é apenas algo que a nossa inteligência não é capaz de compreender inteiramente.

Maria Fernanda Barroca
25 Mai 2013

O mistério da Santíssima Trindade é definido pelos doutores da Igreja como sendo a substância do Novo Testamento. Isto quer dizer que ele é o maior de todos os mistérios da Santa Igreja, a origem e o fundamento de todos os outros mistérios. Pois que, refere-se especificamente a Deus, em sua essência, princípio e fim de todas os seres criados. Foi para conhecer e contemplar esse mistério que os anjos foram criados no céu e os homens na terra.
E foi para manifestar este mistério mais claramente que o próprio Deus desceu da sua morada com os anjos e veio para junto dos homens. Há séculos, baseada em claras e explícitas citações bíblicas, a Santa Igreja ensina e proclama esse mistério de Três Pessoas em um só Deus.
Santo Agostinho, grande teólogo e doutor da Igreja, tentou compreender inteiramente este inefável mistério. Ele foi longe, porém, não chegou lá.
Absorto e meditativo, em certa ocasião, ele passeava pela praia pedindo a Deus luzes para que pudesse desvendar esse Santo enigma. É muito conhecido o que, então, lhe aconteceu: encontrou-se com um menino brincando na areia. A criança, com um copo na mão, continuamente, ia ao mar e vinha; enchia o copo com água do mar e despejava-a num pequeno buraco feito na areia da praia.
Curioso, Agostinho perguntou à criança o que ela pretendia com aquilo. O menino respondeu que queria colocar toda a água do mar dentro daquele buraquinho. O Santo explicou-lhe que seria impossível realizar o que queria. O menino desconhecido, então, argumentou: “É muito mais fácil o oceano todo ser metido neste buraco, do que o mistério da Santíssima Trindade ser compreendido”. E a criança desapareceu: uns dizem que era próprio Menino Jesus, outros dizem que era um Anjo.
Agostinho entendeu a lição. Ele concluiu que a mente humana é extremamente limitada para poder entender toda a dimensão de Deus. Por mais que se esforce, jamais o homem poderá entender esta grandeza por suas próprias forças ou por seu raciocínio. Só compreenderemos plenamente a Deus na eternidade, quando nos encontrarmos no Céu com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O apóstolo São Paulo anuncia a Trindade das pessoas e a unidade da sua natureza quando escreve: «Porque da parte d’Ele, por meio d’Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Ele pelos séculos. Ámen» (Rom 11,36).
Na época em que o Papa Inocêncio XII governava a Igreja, surgiu no mundo católico o desejo de que fosse estabelecida uma festa especial e exclusiva em honra do Pai Eterno. O Papa não atendeu ao pedido, por clarividência e prudência.
É verdade que existem dias festivos, solenidades para celebrar cada um dos mistérios do Verbo Encarnado (Nosso Senhor Jesus Cristo), mas não existe festa própria para celebrar exclusivamente o Verbo Encarnado, segundo sua natureza divina.
Também a solenidade de Pentecostes, já de há muito tempo comemorada, recorda a missão externa do Espírito Paráclito, sua vinda aos homens. Não se refere simplesmente ao Espírito Santo, por si só, segundo sua natureza divina.
Todas estas festas e solenidades foram prudentemente estabelecidas desse modo para evitar que alguém multiplicasse a essência divina, distinguindo as Pessoas.
Séculos mais tarde, ainda para que não pairasse qualquer dúvida quanto à Unidade e Trindade de Deus, foi que a Igreja, para preservar nos seus filhos a pureza da Fé, quis instituir uma festa especialmente dedicada à Santíssima Trindade: Pai, Filho, Espírito Santo. Era uma festa para reverenciar, honrar, adorar, render glória a Deus, Uno, Trino e Eterno, estabelecida pelo Papa João XXII.
É útil lembrarmos que o culto tributado aos Santos, aos Anjos, à Santa Mãe de Deus é sempre iniciado e terminado com a invocação da Santíssima Trindade. Nas preces consagradas a uma das três pessoas divinas, também se faz menção às outras; mesmo ao invocar a cada uma das Pessoas separadamente, termina-se sempre com sua invocação comum. Todos os Salmos e hinos têm a mesma doxologia “ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. As bênçãos, ritos, sacramentos, ou são feitos em nome da Santíssima Trindade ou lhes acompanha a sua intercessão.

Fonte: Papa Leão XIII – Encíclica “Divinum Illud Munus” – Sobre a presença e virtude admirável do Espírito Santo (no site dos Arautos do Evangelho)




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