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A propósito das “Convertidas”

Houve espanto na cidade com a tomada de posição da CMB em querer expropriar o casario contíguo ao Convento das Convertidas para aí se instalar a incontornável e hoje “imprescindível” Pousada da Juventude!A este propósito, há muitas perguntas que poderão ser feitas pelos munícipes, mas com certeza que as respostas não aparecerão no tempo, se bem que o processo em si não deveria conter nada de complexo e de “insinuações maldosas”, se tudo tivesse sido feito com a devida transparência e acuidade.

Armindo Oliveira
25 Mai 2013

É sabido que o património que se pretende expropriar era, até há bem pouco tempo, propriedade de familiares do presidente da CMB, o que se tornaria exigível ao edil muita prudência, muito tacto e distanciamento suficiente, para que as “más-línguas” não andassem a soltar loas para denegrir a imagem de tão importante figura da cidade.
O processo das Convertidas contém um conjunto de equívocos que geraram comentários azedos, opiniões maldosas e tomadas de posição de matriz política que nada abonam a idoneidade dos legítimos representantes dos interesses dos bracarenses. Parte-se do princípio que os autarcas eleitos têm o dever democrático e institucional de serem os zeladores e defensores supremos do bem público e neste caso dos bens da cidade e do município. O património da cidade, os seus espaços e as suas ruas não podem ser alienados ou serem objecto de negócios que suscitem dúvidas ou de negócios que possam colidir com os reais interesses dos moradores e dos munícipes, de qualquer maneira. É necessário muita ponderação e muita clareza nestas matérias, devido à extrema sensibilidade que lhes são inerentes.
O país está a atravessar um período negro da sua história e não é nada congruente e aceitável que se pense sequer em fazer investimentos em áreas
não prioritárias e que não provoquem retorno financeiro substancial. A Pousada da Juventude não é, claramente, um investimento prioritário e, além disso, já tem um programa a aguardar decisão do QREN que financiará a sua construção na freguesia de Real, no arruinado convento de São Francisco. Esta alteração extemporânea de local significa o desnorte e a pressa inexplicável em consumar-se este processo, talvez pressionado pelo calendário autárquico que se aproxima velozmente. Ao mesmo tempo, remete-nos para uma política pouca esclarecida no que concerne às questões do pla-
neamento citadino e do município.
Se quiserem, de facto, instalar a Pousada da Juventude em Braga, no centro da cidade, existe um edifício que tem todas as aptidões materiais e necessárias para funcionar em pleno e em grande. O antigo edifício da GNR, recuperado recentemente e propriedade da CMB, pode albergar tal valência com qualidade, com quantidade e sem custos assinaláveis.
A ideia da preservação e da conservação do património construído que quiseram habilmente associar à expropriação do tal casario não tem cabimento, porque a recuperação das Convertidas pode muito bem ser feita unilateralmente. Se a ideia da recuperação dos prédios com algum valor artístico e cultural fosse levada em linha de conta, o casco urbano entraria em obras generalizadas, dado que os prédios com história são tantos que o orçamento camarário não seria suficiente para os expropriar e para os recuperar.
O défice de planificação urbana está bem patente nesta corrida desenfreada para uma expropriação que não alinha com os reais interesses da cidade. Ou significará o desespero da possível derrota eleitoral autárquica de outubro?
A propósito, as pressas nunca deram bons resultados.




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