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De quem é a culpa!

Temos bom gosto, apreciamos a beleza natural, mas também aquilo que o homem construiu ou mantém, para nossa comodidade. Temos espírito crítico, mas gostamos de quem trabalhe, de quem faça obra, seja investindo em grandes obras ou simplesmente conservando e mantendo o que existe. Custa ver destruir ou vandalizar o que existe, seja público ou privado, ficamos indignados porque entendemos e bem, que nem sempre foi assim, cultivamos o bom gosto e somos exigentes quanto à responsabilidade de quem estraga ou gere mal em nossa opinião.

J. Carlos Queiroz
24 Mai 2013

Tivemos em 2004 um grande evento, a chegada a Braga do comboio em via dupla e electrificada, mas ao mesmo tempo nunca entendemos o abandono de edifícios das estações e muito menos a continuidade duma política de deixa andar, que permite a degradação desses espaços outrora vigiados e floridos. Sem acesso ao interior dos edifícios, impedidos de utilizar os WC, é lamentável ver nas plataformas à espera do comboio, passageiros de guarda chuva aberto, da mesma forma que não se entende muito bem, a falta de WC nos comboios, atendendo a viagens de duração superior a uma hora. Crianças e idosos, por vezes abandonam a viagem a meio, prosseguindo viagem mais tarde, por esse motivo. Outro aspecto lamentável é o isolamento destes espaços públicos, onde a falta de vigilância permite actos de vandalismo e desaconselham mesmo a passagem por ali a determinadas horas do dia. De quem é a culpa? Na verdade, ninguém entende que estes espaços pareçam agora terra de ninguém, por um lado os responsáveis da Empresa, parecem ter-se alheado do património dos edifícios que restauraram ou construíram e onde gastaram milhões de Euros, por outro o poder autárquico não pode intervir porque o espaço embora localizado no seu território, não é seu. Perante tal rea-lidade, todos se demitem de fiscalizar ou prevenir seja o que for, permitindo a continuidade duma degradação indesejável, enquanto outras instituições certamente gostariam de possuir ou utilizar estes espaços. Será que a solução é mesmo esta de deixar destruir ou degradar algo que foi construído com um fim de utilidade pública? Julgo que não, pelo menos acredito não ser essa a prática corrente da nossa Administração Pública, mas também julgo que alguém terá de mostrar interesse e vontade em modificar este estado de coisas, para que isto mude. Num momento particularmente difícil em termos económicos, o país deve cuidar e bem do seu património, da mesma forma que competirá os responsáveis, encontrar soluções para estas questões. Será que o poder autárquico e as Empresas Públicas, vão continuar a nada fazer e o Estado vai continuar a permitir sem responsabilizar ou averiguar sequer, as razões do abandono e degradação deste património? Num país de milhares de desempregados, será difícil encontrar solução para que estes locais tenham vigilância permanente a custos reduzidos! Ocupar cidadãos desempregados em tarefas socialmente úteis não seria forma de reduzir custos, ocupando cidadãos a quem o Estado paga subsídios! Acredito que outras questões se possam levantar, mas parece ser tempo de o Estado se preocupar também com o património de algumas das suas Empresas Públicas…




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