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A lei implacável do tempo (I)

O tempo é um dos elementos mais valiosos da vida; é um valor indefinível que governa, domina e limita a existência do homem. Num mundo que corre irreversivelmente para o futuro, o tempo é um desafio constante. O dia de hoje é apenas um troço ínfimo da estrada da vida. Cada manhã põe o homem à prova e cada fim de tarde o julga. O fluir do tempo é implacável e, assim sendo, todos os seus momentos têm de ser adequadamente aproveitados. E há tanta gente a desbaratá-los! Quantos dias, meses e anos são gastos em ninharias, futilidades, banalidades ou, o que é mais grave, em coisas prejudiciais ao corpo e ao espírito!

Artur Gonçalves Fernandes
23 Mai 2013

O tempo é um dos mistérios mais maravilhosos do universo. Como se fosse uma caravana perpétua, vai andando sempre com os grandes marcos miliários da história passada em direção aos da história futura até ao salto para a eternidade. O tempo não tem favoritos. Para ele somos todos iguais. Ele distribui as suas benesses com total imparcialidade. Cada pessoa, rica ou pobre, nova ou velha, ilustre ou desconhecida, tem quinhão igual na partilha do tempo. O seu dia de 24 horas não é mais curto nem mais longo do que o do vizinho. Esse tempo pertence a cada um de nós para gastarmos, segundo a segundo, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia, mês a mês, ano a ano, como decidirmos. É nosso para o usarmos com prudência ou estouvadamente, a sonhar acordados ou entregues a qualquer coisa de útil, a odiar ou a amar, amedrontados ou felizes, de maneira egoísta ou altruísta. Devemos viver um dia de cada vez. Há gente de mais a viver gananciosamente com o pensamento no futuro, sempre a congeminar a estratégia para enriquecer, mesmo prejudicando os outros. Outras pessoas há que dissipam o tempo, gastam energias e pensamentos a reagir a situações que provavelmente não lhes vão surgir pela frente. Esse “país dos sonhos vãos” consome a sua verdadeira criatividade. A vida não é mais do que uma sucessão de pequenas unidades temporais. O que fazemos hoje é muito importante, porque damos em troca um dia da nossa vida. Uma coisa custa-nos o tempo de vida que temos de gastar para a obter. Para não nos esquecermos do preço pago, temos de fazer o possível para não ficarmos prejudicados com a troca.
Com um tempo limitado, não podemos ser tudo, nem podemos fazer tudo o que desejaría-mos. Estamos constantemente a ter de decidir a quem ou a que devemos dar o nosso tempo. Tudo leva o seu tempo e as nossas decisões determinam o nosso destino. Esta é uma das maiores lições da vida. Diz-se que “tempo e maré não esperam por ninguém”. As horas, os dias e os anos oferecem oportunidades que nunca mais se repetirão; ou se aproveitam ou se perdem para sempre. Não nos deixemos enganar pelo calendário. Uma pessoa pode ter num ano inteiro o valor correspondente a uma só semana, enquanto outra tira o valor de um ano inteiro apenas numa semana. Se todas as noites, antes de nos deitarmos, nos limitamos a virar a página do calendário desse dia, comentando que “lá se foi mais um dia que não volta mais,” é sinal de que não se está a aproveitar bem o tempo. Decidamos ajustadamente aquilo que pretendemos do tempo. Façamos planos com todo o cuidado, todos os dias ou, pelo menos, uma vez por semana, para acertarmos a estratégia de como vamos gastar o nosso tempo. Dêmos tempo às coisas que mais precisam dele. Façamos bons investimentos ou, pelo menos, concentremo-nos no trabalho que temos entre mãos. Respeitemos devidamente o tempo, pois ele é uma grande dádiva, sendo cada dia uma pequena vida que se deve potenciar o melhor possível.




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