Fotografia:
A exploração dos “estágios” sucessivos…

Um dos maiores dramas por que passam, atualmente, os jovens – drama esse que tem sido pouco analisado e menos ainda debatido na sociedade portuguesa –, tem a ver com o trabalho gratuito que lhes está a ser exigido, sob o pretexto de que se encontram numa situação de… “estagiários”. A maioria dos jovens a que me refiro encontra-se na casa dos vinte anos, tem formação superior, vive em casa dos pais ou dos avós, e tem legítimas ambições de conseguir um trabalho estável, digno e remunerado de acordo com o seu desempenho e esforço.

Victor Blanco de Vasconcellos
23 Mai 2013

Esses jovens trabalham – como estagiários – oito horas por dia, durante seis ou sete dias por semana. De forma totalmente gratuita. E às vezes longe do seio familiar, obrigando-os a despesas com deslocações e alimentação fora de casa…
Praticamente todos esses jovens “estagiários” são alimentados pelos pais ou avós, e são por estes vestidos e ajudados integralmente nas suas despesas quotidianas.
São milhares os jovens que se encontram nesta situação no nosso país. A trabalhar de “borla” durante vários anos, apenas com a esperança de que se torne real a promessa que empresários sem escrúpulos lhes vão fazendo: a de que, feitos esses sucessivos estágios (por norma, de seis meses cada um – uns atrás dos outros…), poderão, um dia, vir a ser chamados para um posto de trabalho remunerado na empresa. Uma promessa que nunca chega… nem nunca chegará!
E se um desses estagiários (sem qualquer remuneração e sem quaisquer “ajudas de custo) se atreve, ainda que de mansinho, a pedir um salário, por mais pequeno que seja, para fazer face às despesas mais elementares que o estágio acarreta, é imediatamente confrontado com a ameaça de que, se não quiser continuar nessa situa-
ção (a custo zero para a empresa), pode ir embora imediatamente – pois no tampo das secretárias do “chefe” acumulam-se dezenas de currículos de outros jovens, com idêntica formação superior, dispostos a tomar-lhe o lugar…
Cansados de, aos vinte e tal anos (ou já “trintões), continuarem a  ser vestidos e alimentados por pais e avós, a quem têm de pedir dinheiro para tomarem um café, para beberem um copo com os amigos ao fim de semana, ou para irem ao cinema com a(o) namorada(o); cansados da inefável exploração de que são alvo, diariamente, nesses sucessivos estágios gratuitos, sem expectativas nem esperança; cansados da desilusão que lhes foi alimentada para frequentarem com grande esforço estudos de nível superior (licenciaturas, mestrados e até doutoramentos…) – haverá um momento em que esses jovens reagirão. E, nessa altura, o que acontecerá?




Notícias relacionadas


Scroll Up