Fotografia:
O fim do Tua pressagia o fim da Nação

1- O Tua, joia da coroa do Douro). Transformar os prodigiosos vales do Tua e Sabor em reles albufeiras é uma selvajaria e o pobre Povo que o consente nunca poderá ser tido por civilizado. Há 250 anos atrás, quando o célebre conde de Oeiras (e mais tarde, marquês de Pombal) se lembrou de criar, no majestoso e imenso vale do Douro, a 1.ª zona vinícola demarcada do Mundo, todos aqueles vales eram como ainda são hoje os vales do Tua e Sabor: altos e formidáveis desfiladeiros cheios de matos, sobreirais e penhascos.

Eduardo Tomás Alves
21 Mai 2013

Dessa paisagem imemorial e grandiosa, hoje já pouco sobra. Mas sobra. E o principal do que sobra encontra-se precisamente num planalto oriental da margem-norte do Douro, que é o planalto (em forma de mesa) da Carrazeda de Ansiães. Ora esta região turística e natural de eleição tem como limite ocidental os quase 30 kms de desfiladeiro do baixo rio Tua (que Sócrates, Mexia e agora Assunção Cristas pretendem alagar completamente com a futura barragem…). E tem como limite oriental o fértil vale profundo da Vilariça, onde desagua outro desfiladeiro de quase igual valor e características, o do rio Sabor-Azibo-Angueira-Maçãs. A barragem que o tristemente célebre “Átila de Vilar de Maçada” aqui mandou construir, já vai tão adiantada que parece não ter marcha-atrás possível. A do Tua, até por equidade (e por no futuro o Tua passar agora a ser o “último dos últimos” rios naturais de Portugal) essa talvez possa ainda parar-se. Ou ao menos, fazer-se, mas nunca se fecharem as comportas. Assim salvando o extraordinaríssimo desfiladeiro e a tão popular linha do Tua. Com a morte do seu “irmão” Sabor, pode mesmo dizer-se que de agora em diante, em Portugal “não há dois Tuas”. Todo o vale do Tua devia
aliás ser “parque natural”, uma vez que também a norte de Mirandela o rio vem das montanhas da raia galega de Orense, pelos belos vales do Tuela e do Rabaçal.
2 – Os estrangeiros da UNESCO é que nos vêm dizer o que é lícito…). E nós, os parolos, todos consolados se nos deixarem fazer a obra. E nada ganharemos com ela, pelo contrário, pois são os nossos impostos que a pagam! Com a agravante de os Motas e quejandos nem sequer precisarem, pois a sua carteira de encomendas é vasta, nos países em desenvolvimento (Angola, Brasil, Ásia). No Tua e Sabor há uma evidente componente de “birra”. A de os poderosos que Abril favoreceu nos negócios e na política, pensarem poder achincalhar a vasta classe da média burguesia remediada e esclarecida, nas suas convicções mais racionais e fundamentadas sobre poupança, conservação da Natureza (e paisagem) e valores da Cultura em geral. Registe-se a propósito (e isso para que poucos percebam o que é dito e está em causa) o hermético e asséptico dos discursos e comunicados da Unesco e da Lusa. E da própria ministra Cristas, essa filha de retornados da nossa saudosa África.
3 – Comparando Sócrates e Cristas com D. Dinis). Eu aposto que tanto desprezo pelo rio e tanto entusiasmo pela sua destruição só podem ter origem no facto de a dr.ª Assunção nunca lá ter ido, nunca lá ter posto os pés. É típico de certa pseudo-elite lisboeta, auto-suficiente e convencida. Eu conheci isso de perto, estive 3 anos a estudar Direito em Lisboa… Já o nosso rei Dinis (1261-1325), apesar de no seu tempo não haver
aviões nem auto-estradas e se andar a cavalo por veredas pedregosas, teve ocasião de visitar o nosso Interior. Sobretudo quando foi esperar à fronteira sua noiva aragonesa, a futura Rainha Santa Isabel. E admirou imenso o que viu, ao ponto de ter sido ele que mudou para Vila Flor o nome da antiga vila de Póvoa de Além do Sabor.
4 – Os outros impactos de uma barragem no Tua). O que a distraída UNESCO parece esquecer é que barragens em rios que têm caudal diminuto (Sabor, Tua, etc.) só funcionam com a ajuda de uma “verdíssima” nuvem de ventoinhas eólicas no cimo do belo planalto, aniquilando por completo o potencial turístico da região. E depois há (isso já eles notaram) os impactantes corredores de alta tensão, Douro abaixo (12 kms até Armamar). Mas nem isto nem o também impactante alto paredão da barragem junto ao Alto Douro Vinhateiro os confunde ou desarma…
5 – Mas por que não se pára esta PPP, para exemplo?). É por causa de obras como esta que o Estado não cessa de nos ir ao bolso. E nem agora, que rastejamos diariamente perante os nossos judaicos, nórdicos, mongólicos ou abissínicos credores, percebemos que foi com barragens em rios secos como a do Tua (que Salazar nem sequer lhe passou pela cabeça mandar fazer) que nos arruinámos? Com elas e com os parques eólicos e a rede de auto-estradas supérfluas de José Sócrates. Nas quais em média, 1 km custa 2 milhões de contos. O que não se podia dar aos pobres com esse dinheiro! Ou com o fim da barragem no Tua… Decerto os nossos netos e bisnetos não serão tão incultos como nós e os nossos filhos. Eles nunca nos perdoarão estas delapidações do nosso legado imemorial. Mas já será tarde.




Notícias relacionadas


Scroll Up