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Falta-nos «vinho»!

1É natural que, neste tempo novo, surjam perguntas novas: que tem de especial o Papa Francisco?; o que levará tantos a admirá-lo tanto? É então que sobrevirá a pergunta de sempre: o que falta na Igreja para cativar, para convencer de modo persistente e para motivar de forma duradoura? 2. O que tem faltado à Igreja é o que abunda no Papa: «vinho»! Sim, falta-nos «vinho». Aliás, não custará muito imaginar Maria a continuar a dizer a Seu Filho o mesmo que disse em Caná: «Não têm vinho» (Jo 2, 3).
Este «vinho» não é o líquido que costumamos ingerir. Este «vinho» é, como notou Carlo Maria Martini, «a alegria do Evangelho».

João António Pinheiro Teixeira
21 Mai 2013

3. De facto e como observa Medard Kehl, às vezes dá a impressão de que «a Igreja se assemelha mais a um velório do que a uma festa».
Não é tanto o riso que está em défice. O que parece escassear é a vivacidade, a transparência, a substância, a autenticidade, o sabor!
4. É preciso recolocar no centro duas atitudes que tendemos a subestimar: a transparência do testemunho e a paciência na missão.
Convém não esquecer que Jesus sempre verberou a hipocrisia, o jogo escondido, a intenção subterrânea e a cobardia.
5. Nunca há fraqueza na franqueza. Medard Kehl advoga a reactivação «da velha virtude bíblica da franqueza especialmente onde determinados grupos e indivíduos parecem não corresponder ao imperativo de tornar transparente, hoje, Jesus Cristo e o Seu Evangelho».
Não pode haver desconfiança em relação ao diferente, nem receio diante do novo. Não estará o Espírito de Jesus a falar-nos, nestes tempos, como falou nos primeiros tempos?
6. No entanto, é fundamental que a franqueza seja temperada pela paciência. O embate com uma realidade granítica pode atrair a impaciência e conduzir à desistência.
Não podemos viver obcecados com o imediato. As dores da mudança são dores de uma vida que nasce e não de um corpo que adoece.
7. Como lembra Madeleine Delbrêl, «se o compromisso em favor da mudança não se alimenta de uma paciência contemplativa acabará por ser infecundo».
A paciência ajuda a persistir mesmo perante os dados da evidência. A paciência vive de uma saudável transgressão das evidências. De resto, a experiência mostra que as evidências também se alteram.
8. Percebe-se, pois, que Hans Schaller assegure que «a paciência não é uma virtude de pessoas de carácter passivo ou resignado.
Pelo contrário, a paciência impede que nada (nem ninguém) destrua a confiança interior».
9. A paciência põe a esperança em dia. A paciência não exclui a acção. A paciência é o melhor combustível para a acção.
A paciência pode exasperar. Mas não é a paciência que complica. A falta de paciência é que tudo destrói!




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