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D. Manuel Clemente, notas para um perfil do futuro Cardeal Patriarca

A nomeação de D. Manuel Clemente, como Patriarca de Lisboa, no dia 18 de Maio, veio apenas confirmar aquilo que já há muito tempo se comentava e se dava como certo. Quando a notícia oficial surgiu, fomos contactados para comentar a escolha. Entre as várias declarações que proferimos, estão estas que aqui registamos e que esperamos possam ajudar a melhor conhecer a figura de Homem e de Pastor que ocupará o lugar de Patriarca.

José Carvalho
20 Mai 2013

Atendendo a que este texto pretende traçar um perfil do escolhido pelo Papa Francisco, precisamos, e antes de avançar, de referir que vem de longe a admiração e estima que dedicamos ao sr. D. Manuel Clemente. Motivo pelo qual temos alguma dificuldade em escrever o que quer que seja. Quando nutrimos admiração por alguém, temos receio de não dizermos tudo quanto essa pessoa merece. É o caso de D. Manuel Clemente.
O novo Patriarca não precisa de apresentações. É uma das mais ouvidas e respeitadas vozes da Igreja Católica Portuguesa. Faz, e muito bem, a «ponte» entre os sectores católicos e laicos. Promove, e facilmente, diálogos de aproximação entre a religião e a cultura. Ele que é um dos mais respeitados historiadores da sua geração. Académico com um curriculum brilhante e respeitado, mais não fez, por agora, porque a sua missão como Pastor da Igreja o não permitiu.
Desde que contactamos com o sr. D. Manuel Clemente, e já lá vão alguns anos, sempre o conhecemos como uma pessoa dedicada e que se entrega de alma e coração a todos os desafios que lhe são confiados.
Homem e Bispo de grande craveira intelectual, natural da Diocese de Lisboa, por lá passou uma grande parte da sua vida. Licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa, ingressou no Seminário Maior de Cristo Rei (Olivais) em 1973. Licenciou-se em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa em 1979. Doutorou-se em Teologia Histórica em 1992, com a tese: «Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal. A “Sociedade Católica” (1843-1853)».
Professor de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa, desde o ano de 1975. Foi coadjutor das paróquias de Torres Vedras e Runa. Membro da Equipa Formadora do Seminário Maior dos Olivais, acabou por ser vice-Reitor e Reitor do mesmo Seminário. Membro do Cabido da Sé Patriarcal. Director do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa: 2001-2007. Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais: 2005 a 2011. Vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa desde o ano de 2011. Membro do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, desde 2011. Colabora, habitualmente, nos programas Ecclesia (RTP2), e o Dia do Senhor (Rádio Renascença).
Passou perto de sete anos da sua vida na Diocese do Porto, onde foi Bispo. Neste local, pelo seu esforço, pela sua rara e íntegra inteligência, mas também coragem, continuou a sustentar um nome e vincando fundo a sua individualidade de Pastor da Igreja, no largo transcurso de mais de 30 anos de afadigada vida oferecido à mais antiga instituição do mundo: a Igreja Católica. Na Civitas Virginis, e graças ao seu especial carisma, tornou-se mais mediático do que nunca.
A sua palavra autorizada, e ouvida sempre com muita atenção, fez-nos, por várias vezes, reflectir naquilo que era dito. Não só a nós, mas, seguramente, a muitos milhares de portugueses.
Dos seus longos serviços ornam-lhe o peito, entre outras, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, o Prémio Pessoa 2009, as medalhas dos municípios do Porto, Vila Nova de Gaia, Marco de Canaveses, Valongo e Gondomar, mas também um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Lusófona.
D. Manuel é um espírito de elite, alta cerebração de intelectual e de erudito, Homem de acção e de lucidíssima inteligência.
Escritor de uma fecundidade excepcional – publicou dezenas de livros – aí estão todos os seus brilhantes estudos de História da Igreja e que constituem uma referência. Certamente não escreveu mais, por enquanto, porque a falta de tempo o não permitiu.
Desempenhará a partir de 7 de Julho e nos próximos anos, a alta missão de presidir, nesta hora difícil da História da Igreja e do Mundo, aos destinos do Patriarcado de Lisboa.
No Patriarcado, esperam-no novas exigências pastorais e que desempenhará, seguramente, com o maior afinco.
E como esta ocasião é de votos e de agradecimento, bem devemos agradecer pelo trabalho feito na Diocese do Porto, mas também deixar votos para que o sr. D. Manuel continue, nas suas novas funções, a manifestar um constante testemunho de Fé, sua dedicação e serviço a Deus e aos homens.

N. B. – Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo as normas do chamado Novo Acordo Ortográfico.




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