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Condenados com pena suspensa

Aquilino Ribeiro, numa carta que escreveu ao dr. Francisco Pulido Valente, a propósito do seu livro, Quando os Lobos Uivam, declarou: “permiti que os gatunos oficiais e de mister me metessem as mãos nas algibeiras”. O autor do Malhadinhas e da Casa Grande de Romarigães, dá a entender que foi com sua autorização que os gatunos oficiais e de mister lhe meteram as mãos nas algibeiras, isto é, que o roubaram. Em pior situação que Aquilino Ribeiro estão os aposentados e reformados deste país, porque não dando autorização a que os roubem, não têm outro remédio senão olhar raivosos de impotência perante o novo assalto que o governo vai tentar fazer às suas pensões.

Paulo Fafe
20 Mai 2013

Afinal a porta do Sr. Portas não se abriu como eu disse na crónica passada, ficou entreaberta e, pela frincha, espreita a possibilidade da retroatividade para todos. No fundo, Paulo Portas concordou que os pensionistas e reformados fossem  condenados à retroatividade, é uma condenação com pena suspensa.  Assim e em conclusão a retroatividade permanece. Os que se aposentaram antes de 2005,  há muito que perderam mais de 10%. Em nome da tão apregoada equidade fiscal, deve aplicar-se-lhes a retroatividade para equiparar as suas pensões, colocando–os em igualdade aos de  2005. Mas que direito tem o Estado de mexer numa coisa destas?  Coloca-se aqui o seguinte dilema: se o Estado com a necessidade de dinheiros (de que apenas é gestor e não proprietário), tem razão integral, então os aposentados e reformados foram vítimas da sua boa-fé. Porém, se os aposentados e reformados são os que  têm razão, porque as suas aposentações e reformas são suas , então só lhes resta resistir. Então ou se resignam, sempre há de haver um pastor para cada rebanho, ou se revoltam, sempre há de haver “quem diga não” a cada prepotência. A rebelião contra um estado prepotente e teimoso, incapaz e inepto, é legítima e dentro de conceitos democráticos. Isto pelo lado legal. Sabemos que o lado moral, psicológico individual e social a este governo troikeiro não interessa. Os  aposentados e pensionistas não são apenas grisalhos, são cidadãos de gueto. Houve tempos em que a retroatividade só se aplicava para favorecer. Pelos vistos, em época de falidos, a retroatividade serve para  agravar. Claro que de calculadora na mão e máquina registadora no coração, atualizar pensões aos tempos de hoje não passa de uma demagogia. Ao roubo de catedral, segue-se a heresia. A carinha de menininho que vejo em Vitor Gaspar quando fala com eles em Portugal, ou noutros palcos  internacionais, dá-me vontade de dizer-lhe: olhe que vossemecê é ministro das finanças de Portugal e não candidato a uma carreira internacional! Veja-se mais nos espelhos portugueses e menos refletido nos espelhos internacionais. Vitor Gaspar transformou o fisco em confisco. Quando o fisco se transforma em confisco como é o caso da apropriação da “propriedade das pensões e aposentadorias o estado transforma-se num ladrão pelo abuso de apropriação indevida. Já agora quanto desconta o estado para a segurança social por cada funcionário público? Não devia descontar como as empresas particulares? E se descontasse  já não precisava de roubar os pobres dos aposentados e pensionistas. Como dizia Almeida Garrett, ai dos vencidos.




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