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Os nossos comediantes

A comédia em Portugal sempre teve uma grande expressão. Basta recordar o “pai do teatro português”, Gil Vicente, que escreveu várias dezenas de obras e que viu representadas com muita paixão e aplauso.Foram exibidas em vários espaços, nomeadamente régios e proporcionaram momentos de muito prazer e descontração. Recordamos personalidades nobres, como D. Maria, esposa do rei D. Manuel I e D. Leonor, esposa do rei D. João II, a fundadora das Misericórdias, que nutriam uma enorme admiração por Gil Vicente.

Manuel Fonseca
19 Mai 2013

Um dos géneros de maior impacto eram as farsas, que tinham como finalidade divertir e moralizar, cumprindo o ditado “ridendo castigat mores”.
As obras deste dramaturgo entraram para a História da Literatura Portuguesa porque tinham conteúdo e estilo.
Recordo bons velhos tempos em que lecionei no ensino público obras como a Farsa de Inês Pereira, Quem tem farelos?, Auto da feira, Auto da India, O Velho da Horta e outras. Serviam para cultivar o espírito e para amenizar o tempo de trabalho escolar.
Nas últimas décadas, temos sido beneficiados com exibições teatrais, embora de estilo ligeiro e breve, através da televisão. Sempre houve bons cómicos. Quem os não recorda? E não havia pesadelos como há hoje, infelizmente.
Nos tempos atuais, o que aparece é de fraca qualidade e um ou outro ator foi arrastado para programas televisivos que visam apenas o incremento de audiências e coisas afins.
Mas não são só esses os comediantes que abarcam a maior parte dos horários dos canais televisivos.
São os políticos do passado recente e do presente. É talvez ousado da minha parte apodá-los desta maneira. Mas a sua ação tem laivos profundos de comédia diante de observadores atentos para não os incluir nos rasgos de tragédia que têm aplicado ao povo em geral nas funções governativas.
Todos recordam um ator que conduziu o País ao desgaste total e reaparece, controverso, para lançar as bases de salvador da pátria.
Por outro lado, vemos os atuais governantes como os mestres da matemática. A única coisa que sabem fazer são contas. Contas de dividir e subtrair. E percorrem o mundo inteiro a apresentar números ou a vender Portugal a retalho. Que o digam os chineses.
Por vezes, sai do País um batalhão de ministros, secretários, empresários e jornalistas para estabelecerem contratos. Contratos de quê? De salchichas, afirmava há dias o Dr. Medina Carreira. Só é pena que não apresentem os relatórios dos gastos dessas viagens.
Será só por isso que partem… partem? É que em qualquer parte do País aonde raramente vão, são recebidos com “mimos” de toda a ordem. Recordo a cena do ministro das finanças, há dias, a apresentar um livro…
Oxalá esta comédia não se transforme em tragédia…!




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