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Solenidade do Pentecostes

A Solenidade do Pentecostes celebra a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, reunidos no Cenáculo com Maria. Com esse evento teve assim início a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua Ressurreição (cf. Act 1, 3). Antes da Ascensão ao Céu, ordenou que “não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o Prometido pelo Pai” (cf. Act 1, 4-5); isto é, “todos eles se entregavam assiduamente à oração numa só alma, com algumas mulheres, incluindo Maria, Mãe de Jesus, e com os seus irmãos”.

Maria Fernanda Barroca
18 Mai 2013

Permanecer juntos foi a condição exigida por Jesus para receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma oração prolongada. Desta forma, encontramos delineada uma formidável lição para cada comunidade cristã. Por vezes pensa-se que a eficiência missionária dependa principalmente de uma programação atenta e a realização mediante um empenho concreto, quando afinal o principal é a oração.

Sem dúvida, o Senhor, apesar de incentivar à oração, pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a confiança n’Ele de quem é sempre a iniciativa: é o Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e providente de Deus.

As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo, o vento e o fogo, recordam o Sinai, onde Deus se tinha revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Ex 19, 3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa.
Falando de línguas de fogo (cf. Act 2, 3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, no qual a Aliança com Israel se alarga a todos os povos da Terra.
A Igreja é católica e missionária desde a sua origem, mas o Pentecostes não foi um facto isolado na vida da Igreja. A universalidade da salvação é significativamente evidenciada pelo elenco das numerosas
etnias a que pertencem todos os que ouvem o primeiro anúncio dos Apóstolos: “Partos, Medos, Elamitas, habitantes da Mesopotânia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e dos lados da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e Árabes, ouvimo-
-los proclamar, em nossas línguas, as maravilhas de Deus” (Act. 2, 9-10).
O Povo de Deus, que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração, hoje é ampliado a ponto de não conhecer qualquer fronteira de raça, cultura, espaço ou tempo. Diferentemente do que tinha acontecido com a torre de Babel (cf. Jo 11, 1-9), quando os homens, tentando construir com as suas mãos um caminho para o céu, tinham acabado por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente, no Pentecostes o Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão em comunhão. O orgulho e o egoísmo do homem geram sempre divisões, erguem muros de indiferença, de ódio e de violência.
O Espírito Santo – que é Amor –  ao contrário, torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. 
Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de tristeza apodera-se dos Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos preocupantes. “Tenho ainda muitas coisas a dizer-
-vos, mas não podeis comportá–las por agora. (Jo 16, 12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos.

Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d’Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu.

É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, revelando Cristo Crucificado e Ressuscitado, indica o caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser “expressão e instrumento do amor que dele dimana” (Carta Encíclica Deus caritas est, n.33 – de Bento XVI).
Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje, como ontem e como amanhã, reza: “Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor!”.
A partir do Domingo de Pentecostes, quem às 12 horas costumava rezar, neste Tempo Pascal, em honra de Nossa Senhora, o Regina Coeli, passa a rezar o Angelus.




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