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O Desafio

Num tempo em que somos chamados a dirimir novos argumentos em torno da conceção tradicional do modus faciendi e do modus vivendi, surge como emergente e indiscutível que o nosso léxico tem que passar a integrar a palavra Inteligência e tudo o que ela significa no nosso quotidiano. Gerir de forma inteligente significa, antes de mais, pensar, planear, propor e executar com racionalidade, objetividade e, particularmente, com pragmatismo os desafios diários, de médio e de longo prazo que se apresentam a cada um de nós, em particular, e à comunidade em que estamos inseridos, em geral.

José Oliveira* Paulo Sampaio** Paulo Sousa***
18 Mai 2013

Desafios que devem ser equacionados no âmbito das tendências que se desenham por todo o mundo sob novos modelos de governação das cidades. Neste contexto, a designação de “smart cities” ou cidades inteligentes surge como natural e como referência do que constitui hoje uma tendência universal de aproximar a governação local de modelos mais exigentes e, sobretudo, mais capazes de responderem às necessidades reais das pessoas e menos às vontades expressas politicamente pela governação local, em parte, dissociadas das novas exigências e de perspetivas distintas dos modelos tradicionais pouco inclusivos e demasiado obreiros.
O novo paradigma que marca o século XXI, ou século das cidades como lhe chamou Wellington E. Webb, aponta para que se atue com eficiência e que se seja eficaz em cada ação que se pretende concretizar e, mais do que isso, que seja sustentável quer no plano económico/financeiro, quer no plano social e ambiental.
Tal só é concretizável se a governação assentar o seu modelo de gestão na necessidade de reorientar os recursos disponíveis e os custos previstos para a concretização de mais valias, ou se quisermos, de acrescentar valor à qualidade de vida das pessoas, dos bens, dos equipamentos e das estruturas de que dispõe.
Esta nova assunção quanto à gestão das cidades que se querem redesenhadas de forma inteligente traz à liça outro conjunto de preocupações que extravasam a mera governação do poder local e nos colocam perante o desafio maior de pensar na macro gestão urbana em que os fatores de preponderância deixam de ser uma exclusiva competência da autarquia para assumirem uma visão global em que os stakeholder’s e os cidadãos se tornam peças atuantes e impulsionadoras de novas políticas e de novos projetos inclusivos. Para se perceber melhor o que acabamos de expressar, foquemos por instantes a nossa atenção em duas áreas precisas: a energia e os transportes/mobilidade. A primeira, sendo crucial, é gerida por cada um sem uma visão e uma gestão global que permita racionalizar consumos, reduzir custos com a sua aquisição e exercer o lobby necessário ao desenvolvimento e projeção de novas funcionalidades energéticas seja na gestão de edifícios, da via pública ou do setor produtivo. Num outro capítulo, o debate europeu em torno da mobilidade e dos transportes reorganiza as funções económicas e sociais a partir de eixos transversais nas cidades, canaliza os seus recursos em função da reorganização biunívoca da mobilidade humana e do trabalho, da socialização e da sustentabilidade ambiental.
Duas áreas a que se juntam todas as outras, desde a saúde à educação, da tecnologia à inteligência artificial, da cultura ao desporto, do lazer à integração geracional.
Neste contexto em que se pede um novo modelo de governação, não é possível desenhar uma agenda de uma “smart city” se não existir uma vontade expressa de mudar, mas sobretudo o de passar a gerir baseando as decisões em factos e em números capazes de traduzir a realidade nas suas mais variadas dimensões. Precisa-se de uma “auditoria” à cidade com particular ênfase nas pessoas, no que tem, no que sabe e no que faz. Se formos capazes de dar este pequeno passo seremos com certeza uma sociedade mais capacitada, competitiva e inteligente e melhor preparada para responder aos desafios da nossa cidade de Braga.
A temática em apreço é demasiado vasta para ser apreciada num artigo de Opinião, pelo que é desejável que outros se sigam. Pela nossa parte fica o compromisso de que o assunto será discutido e enquadrado de modo a acrescentar Valor à discussão que se quer sadia e inteligente.
* docente e assessor internacional da European Foundation for Quality Management
** docente e investigador
da Universidade do Minho
*** gestor de Sistemas Integrados de Gestão




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