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Euforia repetida

Muitas pessoas me interpelaram para que as esclarecesse quanto ao que aconteceu no jogo da final de voleibol entre o SC Espinho e o SL Benfica e que levou à repetição do jogo da decisão. As clubites e as suspeições do costume eram colocadas em cima da mesa, porque a maioria das pessoas não conseguiu entender o que aconteceu. Pelo que passo a tentar explicar. O SC Espinho fez entrar um jogador para o serviço no lugar do central. Esse elemento que serviu, foi trocado pelo libero (jogador que só pode ter funções defensivas), logo após a perda do serviço, como é comum. O jogo desenrolou-se normalmente até que o libero chegou à zona 4, e portanto terá que dar lugar ao jogador que substitui e que ocupa esse lugar.

Carlos Dias
17 Mai 2013

Porém em vez de entrar o jogador que serviu (e eventualmente o treinador realizar a substituição para entrar novamente o jogador que tinha sido substituído) quem entrou, direto, foi o central, sem que tivesse sido operada qualquer substituição. A questão é que estava 13-13, na negra. A pressão do resultado e a emoção do set decisivo fez a equipa de Espinho cometer um erro, grave, na sua formação. Diz a regra que a perda de ponto deve acontecer, visto que comete uma falta na rotação e o ponto deve ser atribuído à equipa contrária. Até aqui tudo bem.
A seguir a equipa de arbitragem comete um erro técnico. Depois de uma paragem prolongada a equipa a servir é o SL Benfica, e está 14-13. Por duas vezes o capitão da equipa lisboeta solicita a ordem de rotação, e dizem-lhe que é determinado jogador a servir, mas a mesa comete o erro de indicar o mesmo jogador que tinha servido antes. Porém, como o SL Benfica tinha ganho o ponto, deveria ter rodado e não o fez, mantendo o mesmo jogador no serviço, de acordo com as indicações dadas pelo oficial de mesa. Erro técnico da equipa de arbitragem, a equipa alfacinha vence o ponto, e portanto o jogo, mas a experiência do libero do SC Espinho e o estudo pormenorizado que realizam, releva a falta de rotação da equipa do Benfica e induz a uma contestação, consequente análise do boletim de jogo e a conclusão final: a equipa de arbitragem tinha cometido um erro e induziu o Benfica a cometer também um erro de rotação. A decisão da Federação Portuguesa de voleibol foi de repetir o jogo e no meu entender foi a decisão mais correta e acertada.
Foram várias situações que as pessoas menos identificadas com a modalidade tiveram dificuldade de perceber. Não era muito fácil. Mas os erros pagam-se caros.
O jogo repetiu-se e o SL Benfica venceu por 3-1. Os espinhenses começaram melhor e num set muito equilibrado, venceram nas vantagens. Porém o poderio da equipa de Lisboa é maior e conseguiu assumir as rédeas do encontro, e acabou por conquistar o 4.º título, contra os 18 da equipa de Espinho.
De facto a equipa do SL Benfica mereceu, pois foi a equipa mais regular ao longo do ano e apesar de na final não marcar a diferença, foi a equipa mais consistente.
José Jardim, treinador do SL Benfica, bem merece este campeonato. A persistência neste cargo, ao longo de muitos anos de águia ao peito, mesmo quando a equipa andava com a casa às costas, releva o valor que tem em arrastar, aos ombros, esta modalidade no seu clube.
Um treinador de competição vive de títulos e esses tinham-lhe fugido entre os dedos, nos últimos anos, para o SC Espinho e Fonte do Bastardo. Este ano, quis o destino, que o Benfica festejasse duas vezes o mesmo campeonato, mas isso não o faz bicampeão. Foi invulgar mas também justo.




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